O avanço das questões ambientais no cenário global enfrenta muitos desafios. A pauta da sustentabilidade e da transição climática permanece no radar de executivos e investidores, sustentada por dados concretos, oportunidades econômicas e pela urgência ambiental. Nesse contexto, o Brasil se consolida como um dos protagonistas centrais dessa discussão, ocupando posição estratégica e complexa no cenário geoeconômico, atuando como uma ponte entre o Sul Global e as demandas ambientais globais.
Com uma matriz energética singular, temos hoje cerca de 90% de nossa energia elétrica proveniente de fontes renováveis. Esse diferencial amplia nossa relevância no amplo debate sobre clima e reforça nosso potencial como destino de investimentos sustentáveis. O protagonismo brasileiro vai além da energia. O país ocupa posição estratégica em temas como sequestro de carbono e preservação de grandes áreas florestais, como a Amazônia. Essa somatória de recursos — energéticos, minerais e agrícolas — coloca o país no centro de uma agenda em que segurança energética, transição verde e reindustrialização passam pela geopolítica dos recursos. Nosso grande desafio é transformar vantagem natural em vantagem competitiva e desenvolvimento contínuo.
Apesar do interesse crescente por investimentos sustentáveis, os desafios persistem. A dificuldade de escalar projetos e a escassez de mão de obra especializada em transição energética ainda limitam o crescimento de iniciativas mais estruturadas. Nas empresas, a agenda executiva e os conselheiros têm como prioridade o estudo, o plano de ação e os investimentos para a conciliação da governança eficaz com a adesão ao movimento ESG. Debates recentes no 26º Congresso do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa indicam que a agenda climática vem ganhando espaço nas decisões empresariais. Parte significativa dos conselheiros (56%) já incorpora o tema à estratégia central das organizações, mas a execução das ações é lenta. E 60% deles apontam que metas climáticas ainda não estão integradas, de forma mensurável, à remuneração variável dos executivos.
Quando princípios de ESG e de governança saudável são incorporados à cultura organizacional, passam a orientar decisões em diferentes níveis. Esse movimento cria valor não apenas para o negócio, mas também para as pessoas e comunidades envolvidas. Essa é uma jornada que exige continuidade e um diálogo permanente com a sociedade. A transparência deixa de ser diferencial e passa a ser requisito essencial.
Há cerca de 15 anos, temas como inclusão, diversidade e equidade ainda não ocupavam posição central nas estratégias empresariais. Hoje, são pilares relevantes, o que reforça a necessidade de antecipar tendências e preparar respostas responsáveis. ESG não se resume a indicadores: exige plano de ação consistente, definição de prioridades e capacidade de execução.
A conscientização exige ação. Empresas que não incorporarem o ESG de forma consistente correm o risco de perder relevância em um mercado cada vez mais orientado por critérios sustentáveis. Dados reforçam esse avanço. Segundo o FGVces (Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas), o número de empresas que divulgam inventários de emissões de gases de efeito estufa mais que dobrou no país. Em 2025, esse número ultrapassou 1,3 mil empresas, e 60% das companhias já estabeleceram metas de descarbonização.
Em um mundo em transformação, a sustentabilidade deixa de ser escolha e passa a ser imperativo, definindo quais organizações estarão preparadas para o futuro.
João Roberto Benites – Preside conselhos de administração de empresas familiares. Atua como conselheiro consultivo da Grant Thornton Brasil e do Hospital das Clínicas (SP). É conselheiro certificado pelo IBGC, especialista em expansão estratégica de empresas.



