Incorporar os princípios de ESG (Ambiental, Social e Governança, na sigla em inglês) às políticas públicas de saúde é um marco promissor e desafio da gestão. Nesse sentido, o SUS (Sistema Único de Saúde) reflete a complexidade das demandas do País e reúne as condições institucionais e operacionais para liderar a transição rumo a um modelo de cuidado sustentável, equitativo e inovador.
O componente ambiental deve ser abrangente. A eficiência energética das unidades, o uso responsável da água, a adoção de processos de compras sustentáveis e a incorporação de tecnologias digitais que o consumo de papel são exemplos de práticas que traduzem o compromisso ecológico em resultados concretos. Tais iniciativas obtêm ainda ganhos econômicos diretos, permitindo a realocação de recursos para a própria assistência e fortalecendo a sustentabilidade financeira do sistema.
No pilar social reside a essência do sistema público. Criado sob o princípio da universalidade, o SUS é, por natureza, uma política de ESG, para garantir o acesso gratuito, integral e equitativo à população. Incorporar os pilares de ESG a essa estrutura significa atualizar seus instrumentos de gestão para um tempo em que o impacto social seja mensurado, a transparência é um valor estratégico e a inovação se torne indissociável da equidade.
As OSSs (Organizações Sociais de Saúde) têm papel crucial nessa transição. Como estruturas de governança dotadas de flexibilidade administrativa e foco em resultados, elas têm contribuído para a implementação de políticas de eficiência energética, digitalização de processos, programas de educação ambiental e incentivo à economia circular – práticas que reforçam um olhar voltado à preservação ambiental sem se afastar dos princípios do serviço público.
O cuidado com as pessoas e a responsabilidade socioambiental caminham juntos. É importante lembrar que as declarações de uma cultura ESG na saúde exigem métricas robustas, indicadores transparentes e mecanismos de governança que permitem monitorar o impacto ambiental, social e econômico das instruções. A maturidade dessa agenda depende de sua institucionalização, o que significa incorporar o ESG como eixo estruturante dos modelos de gestão.
O SUS reúne condições ímpares para liderar esse movimento. No Brasil, o fortalecimento de práticas sustentáveis e inovadoras no sistema público pode estabelecer um novo paradigma de política de saúde. Aqueles em que cuidar das pessoas e preservar o planeta são faces complementares de uma mesma política de Estado.
João Romano é gerente executivo do Centro de Estudos e Pesquisas ‘Dr. João Amorim’
