- Foto: Lucas Silva/DPE-AM
Resumo
Laudo técnico aponta risco de explosão, poluição e impactos à saúde em lixão de Iranduba; reunião reúne órgãos públicos e moradores em busca de soluções.
Notícias do Amazonas – Um lixão a céu aberto no município de Iranduba, a cerca de 27 quilômetros de Manaus, tem colocado moradores em situação de risco iminente, segundo laudo técnico apresentado nesta quarta-feira (29). A análise identificou problemas graves, incluindo a formação de bolsões de gás com potencial de explosão, além de poluição ambiental que afeta diretamente comunidades próximas ao ramal do Creuza.
A situação foi debatida em reunião conduzida pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas, que reuniu órgãos ambientais, representantes do poder público e moradores impactados.
Laudo aponta risco de explosões e contaminação
O levantamento técnico, elaborado por equipe de engenharia, revelou um cenário considerado crítico. Entre os principais riscos está o acúmulo de gases inflamáveis no solo do lixão, que pode provocar explosões, colocando em perigo moradores e trabalhadores que atuam no local, especialmente catadores de materiais recicláveis.
Além disso, o descarte irregular de resíduos contribui para a contaminação do solo e de possíveis lençóis freáticos, ampliando os danos ambientais. A queima frequente do lixo também gera fumaça tóxica, agravando problemas respiratórios nas comunidades vizinhas.
- Foto: Lucas Silva/DPE-AM
Falta de solução mantém cenário irregular
Durante o encontro, representantes de órgãos como o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas e o Ministério Público do Trabalho discutiram alternativas para o destino adequado dos resíduos.
Apesar de existir consenso sobre a irregularidade do lixão, a ausência de uma solução definitiva segue sendo um dos principais entraves. Questões burocráticas e falta de definição clara de responsabilidades dificultam a implementação de medidas já previstas na legislação ambiental.
O defensor público Carlos Almeida, da Defensoria Especializada em Interesses Coletivos, destacou a contradição do cenário: o problema é reconhecido, mas continua sem solução prática.
Moradores relatam impactos na saúde e no dia a dia
Quem vive próximo ao lixão sente os efeitos diariamente. Durante a reunião, moradores relataram aumento de doenças, presença constante de fumaça e odores intensos, além de episódios de incêndios prolongados.
A presidente comunitária Rosane Lira Corrêa chamou atenção para o crescimento urbano desordenado, sem planejamento adequado para o manejo de resíduos.
Já o líder comunitário Benedito Leite descreveu a rotina enfrentada pelas famílias. Segundo ele, incêndios no lixão já duraram dias, espalhando fumaça e agravando problemas respiratórios entre crianças e idosos.
Falta de política pública agrava problema
Para o procurador do MPT, Rafael Feres, o caso de Iranduba reflete um problema recorrente na gestão de resíduos sólidos. Segundo ele, a falta de políticas públicas estruturadas e de definição de responsabilidades contribui para a manutenção do cenário de risco.
A avaliação é de que obstáculos administrativos acabam sendo usados como justificativa para a falta de avanço, enquanto a população continua exposta a condições insalubres.
Próximos passos incluem pressão por respostas
Como encaminhamento, a Defensoria informou que irá solicitar esclarecimentos técnicos aos órgãos ambientais, aprofundar o diálogo com as comunidades afetadas e reunir informações sobre decisões que impactaram o atual modelo de destinação de resíduos no município.
A expectativa é que, com a pressão institucional e a mobilização das comunidades, sejam adotadas medidas concretas para reduzir os riscos ambientais e proteger a população.
Problema expõe desafio regional
O caso de Iranduba evidencia um desafio maior enfrentado por municípios da região Norte: a destinação adequada de resíduos sólidos em áreas com crescimento urbano acelerado e infraestrutura limitada.
Enquanto soluções definitivas não são implementadas, o lixão segue operando e mantendo moradores sob risco constante — seja pela possibilidade de explosões, seja pelos efeitos prolongados da poluição ambiental.


