A explosão provocada pelo rompimento de uma tubulação de gás durante uma obra no Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, evidenciou os riscos de intervenções próximas às redes de gás. Embora o caso envolva uma obra associada a uma empresa, reformas e intervenções em casas e apartamentos também devem seguir normas de segurança para evitar vazamentos, explosões e outros acidentes.

“Ao atingir uma tubulação de gás durante uma obra, além do vazamento do combustível, o contato de ferramentas com a estrutura metálica pode gerar faíscas e provocar explosões”, afirma Bruno Galelli Chieregatti, coordenador do curso de Engenharia Mecânica do Instituto Mauá de Tecnologia.

Profissionais recomendam evitar intervenções improvisadas e realizar testes de estanqueidade após alterações na rede de gás — Foto: Freepik/Creative Commons

Segundo Caetano Aliani, diretor de engenharia da Katz Construções e Hauz Construções, até pequenos impactos podem comprometer a estrutura da tubulação. “Microfissuras ou conexões afrouxadas podem causar vazamentos que nem sempre são percebidos imediatamente”, diz.

Para evitar riscos durante obras e reformas, especialistas apontam os principais cuidados com tubulações de gás em casas e apartamentos.

Conheça o que está por trás das paredes

Antes de iniciar uma obra, saiba o que existe por trás de paredes, pisos ou fachadas. “É fundamental possuir os projetos hidráulicos e de gás do imóvel, verificar plantas atualizadas e, em condomínios, conversar com o síndico ou a administração predial para levantar o histórico de intervenções”, diz Bruno.

Antes de quebrar paredes ou pisos, conhecer o trajeto das tubulações de gás é uma das principais medidas de segurança — Foto: Freepik/Creative Commons

“O acidente do Jaguaré reforça justamente a importância dessa etapa preventiva, já que muitas vezes intervenções aparentemente simples podem atingir redes subterrâneas ou embutidas”, opina o professor.

Consulte condomínios ou concessionárias

“Toda obra necessita de um engenheiro ou arquiteto responsável, pois o profissional possui qualificações para medidas de investigação de intervenções”, aponta Bruno.

No caso de edifícios, é importante consultar a administração do condomínio. Dependendo da intervenção, a concessionária de gás também deve ser acionada para orientação técnica. “Em edifícios, alterações sem acompanhamento especializado podem comprometer não apenas a unidade em reforma, mas toda a segurança do condomínio”, adiciona o professor.

Evite perfurações às cegas

Durante a obra, especialistas recomendam evitar perfurações sem a confirmação prévia da localização das tubulações. Também é importante utilizar ferramentas adequadas, manter o ambiente ventilado e, em alguns casos, interromper temporariamente o fornecimento de gás.

Obras em casas e apartamentos exigem atenção redobrada com tubulações de gás, especialmente em cozinhas e áreas de serviço — Foto: Pexels/Jimmy Liao/Creative Commons

“Qualquer intervenção na rede de gás deve ser feita por profissional homologado e treinado pela concessionária”, afirma a arquiteta Helo Yamashiro. Segundo ela, após alterações no sistema, o teste de estanqueidade — que verifica possíveis vazamentos por meio da pressurização da tubulação — é indispensável.

Caetano acrescenta que mesmo obras que não envolvam diretamente a rede de gás exigem atenção. “Qualquer obra no ambiente de uma tubulação de gás faz com que seja necessário o teste de estanqueidade”, explica.

Atenção aos sinais de tubulações

Alguns indícios podem ajudar a identificar a presença de tubulações de gás ainda não mapeadas no imóvel. Entre eles estão registros metálicos aparentes, medidores próximos, canos amarelos, alinhamentos verticais típicos de prumadas e até o cheiro característico do gás.

“Se durante a perfuração aparecer um cano metálico, de cobre ou polietileno amarelo, a recomendação é parar imediatamente”, orienta Helo.

Segundo a arquiteta, imóveis com aquecedor a gás, cooktop, secadora ou lareira normalmente possuem tubulações embutidas, nem sempre localizadas exatamente onde o projeto indica.

Tenha o contato da concessionária em mãos

Antes de qualquer reforma, tenha o telefone da concessionária de gás na agenda de emergência da obra, além do contato de um profissional homologado.

Improvisos estão entre os principais erros

Entre os erros mais comuns em reformas residenciais estão a contratação de mão de obra não especializada, alterações improvisadas nas instalações e o fechamento de áreas de ventilação.

“Muita gente fecha as grelhas de ventilação porque entra vento ou poeira, mas elas são obrigatórias justamente para evitar intoxicação e acidentes”, afirma Helo.

Bruno também alerta para o hábito de minimizar pequenas intervenções. “Até a instalação de armários, ar-condicionado ou mudanças em pisos pode atingir tubulações embutidas”, diz.

O que fazer em caso de vazamento

Em caso de suspeita de vazamento ou impacto na tubulação, a recomendação é interromper imediatamente a obra e fechar o registro de gás.

Segundo os especialistas, o morador pode seguir as indicações:

  1. Feche o registro de gás imediatamente. “Ele fica antes do medidor, normalmente na área externa ou no hall do apartamento. Em casos de condomínios, se não souber onde fica, pergunte ao síndico ou zelador”, diz Helo.
  2. Não acione nada elétrico. Qualquer faísca é suficiente para inflamar o gás acumulado.
  3. Abra portas e janelas para ventilar, possibilitando a troca com o ar externo.
  4. Saia do ambiente e acione a concessionária. Se for um condomínio, avise o síndico ou zelador na sequência.
  5. A concessionária irá avaliar, lacrar o acesso ao gás se necessário, emitir laudo e só liberar o religamento após as correções.

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By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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