Meses antes da proibição de venda de produtos da marca Ypê, a Unilever fez duas denúncias contra a Química Amparo, no mês de outubro, de acordo com o jornal “Folha de S.Paulo”. A Anvisa determinou neste mês a interrupção da fabricação e comercialização de produtos líquidos da Química Amparo, fabricante da Ypê.
Nas denúncias feitas pela multinacional dona de Omo e Cif, era apontada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos de limpeza da concorrente.
Em outubro de 2025, a Unilever apresentou à Anvisa a primeira notificação sobre contaminação em quatro lotes de Tixan Ypê Express. Os produtos afetados eram das versões Cuida das roupas e Combate mau odor.
Análises conduzidas pelo Laboratório Charles River detectaram presença genética da bactéria nos lotes investigados. O laboratório utiliza um dos maiores bancos de dados genéticos do mundo para identificação de micro-organismos.
Na denúncia, a Unilever mencionou a existência de recolhimento silencioso de produtos Tixan Ypê Express no mercado, segundo documentos enviados à Anvisa e ao Senacon.
Segunda notificação ampliou lista de produtos afetados
Em março de 2026, a fabricante de Omo protocolou nova denúncia apontando contaminação em 14 lotes adicionais de diferentes linhas da marca Ypê.
Os novos lotes contaminados incluíam Tixan Ypê Primavera, Tixan Ypê Maciez, Ypê Power Act e detergente Ypê Lava-Louças Neutro. O Laboratório Eurofins realizou as análises desses produtos.
Dos 14 lotes testados, sete apresentaram traços genéticos de outras bactérias patogênicas além da Pseudomonas aeruginosa. A Unilever classificou a situação como “desvio microbiológico relevante” e alertou sobre “iminente risco à saúde e segurança dos consumidores”.
Após receber as denúncias, a Anvisa realizou inspeções na fábrica da Química Amparo localizada em Amparo (SP). A agência determinou a suspensão da produção e venda de todos os produtos líquidos fabricados pela empresa.
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Unilever explica prática de testes
Em nota, a Unilever informou que “realiza rotineiramente testes técnicos em seus produtos e eventualmente nas demais marcas do mercado. Esta é uma prática comum entre as indústrias do setor”.
A empresa acrescentou que notifica as autoridades competentes sempre que os resultados dos testes indicam riscos aos consumidores. Segundo a Unilever, “quaisquer investigações são conduzidas exclusivamente pela autoridade, que avalia as diligências, fiscalizações e testes que entender necessários para a tomada de decisão”.
Os documentos mencionam “identificação genética perfeita” da bactéria em alguns lotes e “distanciamento genético” em outros, indicando diferentes níveis de contaminação nos produtos analisados.
