Estudo da Effecti aponta que 15% dos participantes teriam de reduzir a quantidade de processos acompanhados, perderiam oportunidades ou não conseguiriam sustentar o volume atual sem tecnologia
Um levantamento realizado pela Effecti aponta que 65% dos licitantes associam à falta de tecnologia à mais trabalho, mais tempo gasto e à necessidade de voltar a executar processos manualmente. Entre os relatos, monitoramento constante de diferentes portais, risco de perder oportunidades e prazos e até a necessidade de reduzir o número de disputas acompanhadas aparecem.
“Certamente eu teria infartado antes dos 40 anos”, revela um dos licitantes. O profissional destaca que o trabalho manual não significa apenas levar mais tempo para concluir uma tarefa e enfatiza a necessidade de acessar diferentes portais, acompanhar movimentações, organizar oportunidades em planilhas, cadastrar informações e conferir documentos ao longo do dia.
Um dos participantes descreveu uma rotina “muito mais operacional, repetitiva e suscetível a erros” sem a tecnologia, na qual horas seriam consumidas pelo monitoramento de editais e pela conferência de documentos e com o espaço “praticamente inexistente” para atividades estratégicas.
A dificuldade de acompanhar tantas informações apareceu em 204 respostas, ou 38,6% da amostra. Nesse grupo, os participantes mencionaram problemas relacionados à centralização, busca, monitoramento ou acompanhamento de oportunidades caso não contassem com os recursos tecnológicos atuais.
“Durante muito tempo, trabalhar com licitações significou estar permanentemente atento a vários portais, prazos e movimentações ao mesmo tempo. Quando parte desse acompanhamento deixa de depender exclusivamente de uma pessoa, muda não só a produtividade da operação, mas a própria rotina de quem está na ponta”, afirma Alan Conti, CEO da Effecti.
Em 15% dos relatos, os participantes compartilham que teriam de reduzir a quantidade de processos acompanhados, perderiam oportunidades ou não conseguiriam sustentar o volume atual. “Faria bem menos processos por ter uma equipe mais limitada”, afirmou um deles. Outros disseram que seria difícil ou inviável participar do mesmo número de disputas caso o acompanhamento dependesse principalmente da execução manual.
“Existe um limite para quanto volume uma pessoa consegue absorver sem que isso se transforme em mais horas de trabalho, mais pressão e maior risco de alguma informação passar despercebida. A automação muda essa equação porque permite ampliar a operação sem exigir que a carga manual cresça na mesma proporção”, acrescenta Conti.
Além do volume de trabalho, 33 participantes, ou 6,2% da base, mencionaram espontaneamente outro fator: o risco de cometer erros, perder prazos, deixar movimentações sem acompanhamento ou sofrer uma desclassificação. “Eu dependeria da checagem constante de portais, do controle de prazos em planilhas e de procedimentos menos integrados”, relatou um dos participantes. Segundo ele, esse modelo aumentaria o risco de perder oportunidades importantes ou cometer falhas durante o processo.
O percentual é menor do que o observado nas respostas sobre trabalho manual e monitoramento, porém acrescenta um componente à pressão da atividade. A combinação de volume e responsabilidade aparece de diferentes maneiras ao longo do relatório: mais tarefas manuais, necessidade de acompanhar vários ambientes, menos capacidade para assumir novos processos e receio de que alguma informação seja perdida no caminho.
“Tecnologia não deveria servir para fazer uma pessoa trabalhar mais rápido durante mais horas. O ganho mais relevante acontece quando tarefas repetitivas e de monitoramento deixam de ocupar o profissional o tempo inteiro. Isso devolve espaço para análise, decisão e, principalmente, para uma rotina de trabalho mais sustentável”, conclui Conti.
