Uma semana depois do trágico acidente de viação que vitimou 25 pessoas na estrada entre Chã das Caldeiras e Campanas de Cima, na ilha do Fogo, o Bispo da Diocese de Santiago, D. Teodoro Tavares, deslocou-se àquela ilha cabo-verdiana para presidir à Missa do Sétimo Dia e levar uma mensagem de fé e esperança à famílias enlutadas.
Dulce Araújo – Vatican News (com página fb Diocese de Santiago)
Perante centenas de pessoas que se reuniram para homenagear as vítimas e manifestar solidariedade às famílias enlutadas, o Bispo deixou uma mensagem de conforto e de fé, rejeitando qualquer interpretação da tragédia como um castigo divino.
“De maneira nenhuma Deus nos pune e, muito menos, de uma forma tão cruel e implacável. Deus é amor. Deus é misericórdia”, afirmou D. Teodoro Tavares durante a celebração eucarística.
Uma palavra especial à mães e familiares das vítimas
Dirigindo-se particularmente às mães e às famílias que perderam os seus entes queridos, o Bispo reconheceu a profundidade de uma dor que ultrapassa muitas vezes as palavras, mas apelou à fé como caminho para enfrentar o sofrimento e reencontrar sentido.
“Precisamos ter fé em Deus para que a nossa vida também tenha sentido”, afirmou, recordando que, para os cristãos, “a vida não termina na sepultura”, mas abre-se à esperança da ressurreição e da vida eterna.
Na sua homilia, D. Teodoro Tavares evocou as palavras de Jesus Cristo: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo na morte, viverá”. A partir desta promessa, sublinhou que, embora a morte faça parte da condição humana, a fé cristã proclama que o ser humano foi criado por Deus para “a imortalidade, para uma vida plena, eterna e feliz”.
Apreço pela solidariedade
Dom Teodoro reconheceu ainda o trabalho desenvolvido pela comunidade paroquial e pelos sacerdotes no acompanhamento das famílias, com particular apreço pelos frades capuchinhos, responsáveis pela Paróquia de São Lourenço, e pelo Frei Flávio, pela dedicação e proximidade demonstradas ao longo destes dias de luto.
Outro sinal de proximidade foi a presença de psicólogos da Escola Universitária Católica, que se deslocaram à ilha do Fogo para prestar acompanhamento às pessoas mais fragilizadas pela perda, pelo choque e pela consternação provocados pelo acidente.
A Missa do Sétimo Dia foi celebrada no átrio do jardim infantil, junto à capela de São Francisco de Assis, padroeiro das comunidades que concentram um elevado número de vítimas mortais do acidente.
Igreja continuará a acompanhar com a oração e presença pastoral
No final, Dom Teodoro Tavares reafirmou que a Igreja não permanecerá distante diante da dor das famílias.
A Diocese de Santiago continuará a acompanhá-las através da oração, da presença pastoral, do acompanhamento espiritual e da solidariedade, mantendo-se próxima da população do Fogo neste tempo marcado pela perda e pelo sofrimento.
Ilha do Fogo, uma parcela da Diocese de Santiago
A ilha do Fogo é parte, juntamente com as ilhas de Santiago, Maio e Brava, da Diocese de Santiago. Esta Diocese criada em 1533 era, até 2003 (ano da criação da Diocese de Mindelo) a única Diocese de Cabo Verde e cobria as dez ilhas do país. A Diocese de Mindelo passou a abranger as ilhas de Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Sal e Boa Vista, sendo a décima ilha (Santa Luzia), não habitada.


