Dois veículos ligeiros colidiram, na manhã de domingo, na
entrada da Via Rápida, na Cancela. O acidente, que não provocou feridos,
aconteceu no nó que liga à Ponte da Quinta, recentemente intervencionado e onde
foi aberta uma nova via de aceleração.

A notícia publicada pelo DIÁRIO motivou vários comentários
dos leitores, alguns dos quais questionando a utilidade da intervenção. Um
deles foi mais longe, garantindo que, quando a entrada se fazia sem a actual
via de aceleração, “nunca ninguém bateu”.

Será verdade que, antes da recente intervenção, não havia
registo de acidentes naquela entrada da Via Rápida?

A verificação foi feita com recurso ao arquivo do DIÁRIO,
procurando informação sobre sinistralidade naquela zona.

Em Agosto de 2006, o jornal noticiava um acidente na
“entrada da via rápida, na Cancela”, do qual resultou pelo menos uma vítima
transportada às urgências.

É preciso avançar nove anos para encontrar outro registo. Em
Setembro de 2015, dois automóveis envolveram-se num acidente a escassos metros
do nó de entrada na Via Rápida da Cancela, ficando uma das viaturas sobre a
outra. Não houve feridos aparentes.

Em Fevereiro de 2016, uma viatura despistou-se e caiu numa
vala, na Cancela, antes da entrada para a Via Rápida. No ano seguinte, em
Setembro, uma carrinha do SESARAM e um automóvel colidiram à entrada da Via
Rápida. Neste caso, não houve feridos, embora as viaturas tenham sofrido danos
materiais significativos.

Os registos tornam-se mais frequentes nos últimos anos. Em
Novembro de 2022, uma colisão entre uma moto e um automóvel, junto à entrada da
Cancela, provocou um ferido. Em Setembro de 2023, dois veículos colidiram na
entrada para a Via Rápida, nas imediações da Hôma, sem causar feridos
aparentes.

Em 2024, encontramos dois acidentes. Em Maio, uma colisão
junto à entrada envolveu pelo menos três viaturas. Em Dezembro, pelo menos três
automóveis voltaram a colidir perto da entrada da Cancela. Em ambos os casos
não houve registo de feridos.

Já em Abril de 2025, duas mulheres ficaram feridas num
acidente de moto na entrada da Via Rápida, no sentido Santa Cruz-Funchal. Mais
recentemente, em Agosto deste ano, uma colisão na entrada da Via Rápida
envolveu um motociclista, que foi projectado com o impacto.

A existência destes acidentes não permite estabelecer uma
relação entre a configuração da entrada e as causas de cada um deles. Também o
acidente de domingo, ocorrido depois da abertura da nova via de aceleração, não
permite concluir que a intervenção tenha falhado na sua função.

Uma via de aceleração destina-se a permitir que os veículos
que entram numa estrada adquiram uma velocidade adequada antes de se incorporarem
na corrente de trânsito. O objectivo é reduzir a diferença de velocidade entre
quem entra e quem já circula na via principal e facilitar uma incorporação em
condições de maior segurança.

A questão assume particular importância na Via Rápida da Madeira,
onde existem vários acessos sem vias de aceleração ou com vias de extensão
reduzida. Esta realidade obriga, em alguns nós, a que a entrada na corrente de
trânsito seja feita num espaço curto. As Vias Expresso apresentam, igualmente,
situações semelhantes, embora não sejam o foco desta verificação.

No caso da Cancela, a recente intervenção no Nó junto à
Ponte da Quinta permitiu criar uma via de aceleração onde anteriormente não
existia uma com as actuais características. A sua abertura não elimina,
naturalmente, a possibilidade de acidentes, da mesma forma que a ocorrência de
um acidente depois da intervenção não demonstra que ela seja inútil.

O que o arquivo do DIÁRIO permite demonstrar é que os
acidentes naquele acesso não começaram com a abertura da nova via de
aceleração. Foram encontrados pelo menos dez casos anteriores, entre 2006 e
Agosto de 2026, alguns dos quais provocaram feridos.

Assim, a afirmação de que, antigamente, apesar das condições
existentes na entrada da Via Rápida na Cancela, “nunca ninguém bateu” é falsa.

“Antigamente, a entrada (da via rápida na Cancela) era uma (…) e nunca ninguém bateu, tristeza (…)” – Comentário de um leitor, no Facebook do dnoticias.pt (assinado com pseudónimo)

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART