O segmento envolve atualmente aplicações no setor em cerca de R$ 2,7 trilhões, o equivalente a 25,3% do Produto Interno Bruto (PIB). (Foto: Envato Elements)
A bioeconomia, dispositivo de conhecimento que transforma recursos biológicos em inovação, tecnologia e produtos de alto valor agregado, pode movimentar no país mais de R$ 700 bilhões por ano até 2032.
A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que aponta que o setor corresponde por cerca de R$ 2,7 trilhões em atividades econômicas, o equivalente a 25,3% do Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo o estudo, a expansão da bioeconomia está diretamente ligada ao avanço de áreas como biomanufatura, biomateriais, bioinsumos, proteínas alternativas e bioplásticos.
Além disso, os impactos se estendem a setores de relevância econômica, como os mercados farmacêutico, cosmético e biotecnológico.
Falta de regulamentação ainda limita o crescimento do setor
Apesar do potencial econômico, a pesquisa aponta que a regulamentação da bioeconomia continua sendo um dos principais desafios para o avanço do segmento.
De acordo com a CNI, a ausência de um marco regulatório consistente tem afastado investidores, pesquisadores e potenciais parceiros internacionais.
O superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, explica que as empresas interrompem projetos em virtude da complexidade das regras.
O gestor realça que o Brasil pode evoluir no sentido de ser mais do que exportador de biomassa.
“O país tem capacidade para liderar a biomanufatura global e desenvolver novos produtos de alto valor agregado, como fármacos e soluções biotecnológicas, mas a inovação só prospera em um ambiente com regras claras”, afirma.
Gargalo é interpretação normativa do patrimônio genético brasileiro
Segundo a pesquisa, 82% das empresas consideram a insegurança jurídica o principal gargalo para atuar na bioeconomia.
A preocupação está relacionada, principalmente, às frequentes mudanças na interpretação das normas que regulamentam o acesso ao patrimônio genético brasileiro.
Esse patrimônio inclui plantas, animais, microrganismos e conhecimentos tradicionais, como saberes de povos indígenas e comunidades tradicionais utilizados em pesquisas científicas e no desenvolvimento de novos produtos.
Como resultado, muitas empresas adiam investimentos ou suspendem projetos diante da dificuldade de prever os impactos regulatórios futuros.
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