Um mar de abreviações e termos técnicos pode afastar, em vez de aproximar, o público da agenda ambiental, social e de governança.
Se você já tentou entender ou explicar o universo da sustentabilidade e do ESG (Ambiental, Social e Governança), deve ter notado que ele vem acompanhado de uma verdadeira sopa de letrinhas. Siglas como CDP, GRI, ODS, SASB e CSRD pipocam em palestras e textos, muitas vezes deixando a impressão de que o tema é complexo demais para o público não especializado. Mas por que essa área depende tanto desses atalhos verbais?
De fato, a complexidade inerente de áreas técnicas, como a sustentabilidade e o ESG, justifica, em parte, a proliferação de jargões e abreviações. Assim como advogados e contadores utilizam linguagens específicas, as discussões sobre impacto ambiental e responsabilidade social também desenvolveram seu próprio dialeto. A intenção, muitas vezes, é simplificar termos longos, como a sigla GRI, que substitui a extensa “Global Reporting Initiative”. Essa praticidade economiza tempo em conversas profissionais, mas levanta a questão de sua acessibilidade.
A Necessidade do Jargão Técnico
Não se pode negar que a área de ESG é intrinsecamente técnica. Existem, por exemplo, pelo menos quatro padrões de relatórios globais relevantes: GRI, SASB, IFRS (International Financial Reporting Standards) e CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive). Todos são siglas porque seus nomes completos são extensos demais para o uso diário. Ninguém se refere dez vezes ao dia à “Global Reporting Initiative”; é muito mais prático dizer “GRI”. Esse é um fato inegável: a profusão de siglas é, em parte, uma ferramenta para tornar a comunicação entre especialistas mais eficiente.
O desafio surge quando essa linguagem técnica ultrapassa o círculo de especialistas e precisa dialogar com um público mais amplo. Marcos Pinheiro, especialista no tema, argumenta que, embora essencial internamente, a falta de um olhar comunicativo prioritário por parte dos técnicos resulta em uma desconexão com o “mundo normal”. Assim, termos que deveriam simplificar acabam criando barreiras.
O Papel da Comunicação no ESG
Aprofundando a discussão, há um ponto crítico: a forma como o conhecimento é criado e disseminado. Ambientes de criação de conhecimento, incluindo o acadêmico e os grupos que definem os padrões do ESG, são frequentemente elitizados. Essa elite intelectual, muitas vezes, não prioriza a democratização da informação ou a simplificação da linguagem. Em alguns casos, a complexidade pode até ser vista como um fator que valoriza a expertise de consultores, criando uma “caixa preta” que supostamente demanda a assistência de especialistas. Não se trata de uma conspiração, mas de uma consequência natural de grupos homogêneos e com foco prioritário na profundidade técnica, não na comunicação de massa.
Para Pinheiro, o problema reside na falta de um olhar mais aguçado para como essa informação será entendida e transmitida. É crucial que o profissional de ESG atue também como comunicador, traduzindo o jargão sempre que possível. A agenda de sustentabilidade aborda causas e efeitos que impactam a todos, e por isso deve ser acessível e tangível para o público leigo. Dizer no almoço de Natal que sua empresa está reduzindo a emissão de GEEs para aumentar a nota do CDP e reportar no GRI dificilmente será compreendido; a tela do celular da sua mãe provavelmente será mais interessante do que essa explicação.
Na prática, isso significa que, ao falar com o grande público, especialistas precisam se esforçar para evitar siglas ou, quando inevitáveis, traduzi-las de forma clara. Por exemplo, em vez de “Escopos 1, 2 e 3”, poderíamos falar em “emisssões internas, emissões da energia e emissões da cadeia”, o que seria muito mais intuitivo.
ESG e a Amazônia: Uma Agenda Crucial
A região amazônica, com sua riqueza natural e social, é um dos palcos mais importantes para a aplicação dos princípios ESG. Empresas que operam na Amazônia, ou que têm sua cadeia de valor conectada à região, são constantemente avaliadas por suas práticas ambientais, sociais e de governança. A clareza na comunicação sobre a implementação de projetos sustentáveis, o respeito às comunidades tradicionais e a transparência na gestão é fundamental. Uma boa estratégia de comunicação pode desmistificar os esforços de conservação e desenvolvimento sustentável, engajando tanto investidores quanto a população local. Segundo dados do Observatório do Clima, a desinformação sobre temas complexos tem sido um obstáculo significativo na implementação de políticas ambientais na região, especialmente em estados como Pará e Amazonas, onde há grande interação entre população, empresas e projetos de sustentabilidade.

Entenda o caso: A gênese das siglas ESG
As siglas e o jargão técnico no ESG não surgiram aleatoriamente. Eles são o resultado do desenvolvimento de frameworks e padrões globais criados por organizações para medir e reportar o desempenho de empresas em relação a critérios ambientais, sociais e de governança. Essas estruturas visam trazer padronização e comparabilidade a uma área que, de outra forma, seria difícil de quantificar e avaliar. A necessidade de detalhamento e precisão nesse universo complexo levou à criação de termos específicos, que, embora eficientes para especialistas, podem ser um obstáculo para a compreensão geral.
Próximos Passos na Comunicação de Sustentabilidade
O desafio atual é transformar essa agenda prioritariamente técnica em algo acessível e interessante para todos, sem perder a profundidade e a relevância de cada termo. O esforço contínuo para essa tradução é fundamental para engajar um público mais amplo e garantir que as pautas de ESG e sustentabilidade não fiquem restritas a um pequeno grupo de iniciados, mas se tornem parte integrante do debate público e das práticas cotidianas. A conscientização e a ação coletiva dependem, em grande parte, da capacidade de tornar esses conceitos compreensíveis para a Sandra da plateia e, quem sabe, para a sua própria mãe no almoço de domingo.
Perguntas Frequentes
O que significa a sigla ESG?
ESG significa Ambiental, Social e Governança, e refere-se a um conjunto de critérios e práticas que medem o desempenho de uma empresa em relação à sustentabilidade e responsabilidade corporativa.
Por que há tantas siglas na área de sustentabilidade?
As siglas surgem para simplificar nomes, longos de padrões e iniciativas globais, mas também refletem a natureza técnica da área e a falta de uma prioridade comunicacional para o público geral.
Como o público geral pode entender melhor o ESG?
Profissionais da área precisam se esforçar para traduzir o jargão, evitar siglas sempre que possível e explicar os conceitos de forma clara e acessível, focando no impacto e na relevância para o cotidiano.
Com informações de Marcos Pinheiro.
O Google lançou as Fontes Preferenciais: escolha os veículos que aparecem com prioridade. Adicione a Revista Amazônia e garanta cobertura exclusiva sempre em destaque.
Adicionar Revista Amazônia como Fonte Preferencial
Como funciona em 3 passos:
1. Pesquise qualquer assunto no Google
2. Toque no ⭐ ao lado de “Principais Notícias”
3. Busque Revista Amazônia e marque a caixa — pronto!
