TIG, do BTG, capta US$ 370 milhões para novos investimentos em florestas na América LatinaTIG, do BTG, capta US$ 370 milhões para novos investimentos em florestas na América Latina

O BTG Pactual Timberland Investment Group (TIG), braço de investimentos florestais da instituição de André Esteves, acaba de concluir o first close, de US$ 370 milhões – R$ 1,8 bilhão, no câmbio do dia –, de uma nova estratégia de investimentos florestais na América Latina.

A informação foi repassada em primeira mão no Brasil ao AgFeed. Econômico nos detalhes, o TIG não revelou, no entanto, quem foram os investidores envolvidos e exatamente em que projetos esses recursos serão aportados.

O foco dessa nova tese, segundo o BTG, é a implementação de florestas sustentáveis de grande escala no Brasil, Uruguai e Chile, buscando diversificação em termos de geografia, zonas climáticas, espécies e mercados consumidores. A meta do TIG é de conseguir investimentos de US$ 1,5 bilhão ao longo de cinco anos.

“Este primeiro fechamento reforça nossa convicção de que a América Latina representa uma oportunidade atrativa para investimentos florestais, dadas suas características biológicas e estruturais únicas”, afirmou Matheus Moura, head de gestão de investimentos para a América Latina do BTG Pactual TIG, em nota.

“Ao mesmo tempo, o crescimento da demanda e o interesse contínuo de investidores institucionais por investimentos em ativos naturais — incluindo soluções climáticas baseadas na natureza, créditos de carbono e ativos reais resilientes à inflação — continuam a sustentar nossa visão de longo prazo”, emendou.

Para Gerrity Lansing, head do BTG Pactual TIG, o know-how acumulado na região ajuda a gestora de ativos florestais a escalar o projeto.

“Nossa mais nova estratégia para a América Latina se baseia em décadas de atuação na região, onde nossas equipes possuem ampla experiência nos mercados locais, na estruturação de transações, no manejo florestal sustentável e arcabouços jurídicos nacionais”, afirmou, também em nota.

“Essas capacidades nos permitiram desenvolver e gerenciar plataformas florestais em escala em toda a América Latina, gerando resultados estratégicos ao longo do tempo. Nosso objetivo é seguir avançando com uma abordagem diligente e de longo prazo para fornecer materiais renováveis essenciais e gerar impactos positivos como um participante relevante no mercado.”

Em agosto do ano passado, um primeiro investimento foi feito já dentro dessa estratégia, segundo o TIG, em um acordo realizado em parceria com a Klabin e a British Columbia Investment Management Corporation (BCI), fundo de pensão do Canadá.

O aporte, que foi de aproximadamente US$ 700 milhões, abrange cerca de 100 mil hectares de florestas manejadas de maneira sustentável no estado do Paraná.

Os recursos foram direcionados para Sociedades de Propósito Específico (SPEs) do Projeto Plateau, criado pela Klabin em 2024 e que contempla a monetização e exploração de ativos florestais maduros – ou seja, floresta já crescidas – localizados nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Ao encerrar a captação, no fim de 2025, a Klabin tinha conseguido R$ 2,7 bilhões em aportes de diferentes investidores.

Em paralelo, o TIG segue com uma outra estratégia, focada em reflorestamento e geração de créditos de carbono na América Latina, que foi lançada em 2021, com o objetivo de conseguir US$ 1 bilhão em cinco anos para desenvolver projeto no continente latinoamericano, com foco no Cerrado Brasileiro.

Até aqui, essa tese vem sendo bem sucedida em atrair os investidores: no fim de 2025, o TIG já tinha conseguido atingir mais da metade da meta de captação, chegando a cerca de US$ 672 milhões.

“Estamos no caminho para alcançar nosso objetivo. As coisas estão indo bem”, resume Mark Wishnie, diretor de sustentabilidade do TIG, que conversou com o AgFeed na ocasião.

A estratégia do TIG é comprar terras degradadas, plantar um mix de florestas comerciais e originais, preservar parte das áreas e explorar madeira comercial produzida de forma sustentável na outra parte.

A iniciativa deverá proteger e restaurar cerca de 135 mil hectares de florestas nativas e outros habitats, além de plantar milhões de árvores em outros 135 mil hectares, destinados a florestas comerciais sustentáveis e certificadas pelo Forest Stewardship Council (FSC, na sigla em inglês), que certifica a madeira sustentável.

Dentro dessa estratégia, o braço de investimentos florestais do BTG fechou a venda de créditos de remoção de carbono para duas big techs no ano passado: a Microsoft, que acertou a compra de até 8 milhões de créditos de remoção de carbono até 2043, e a Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, que fechou a compra de 1,3 milhão de créditos de remoção de carbono, que podem ser adicionados com mais 2,6 milhões de créditos, até 2038.

Em paralelo, além das big techs, o TIG tem conseguido atrair novos investidores de peso nesta iniciativa para a América Latina.

É o caso do BNDES, que aprovou um investimento de até US$ 56 milhões (cerca de R$ 300 milhões) no veículo, e da GenZero, plataforma de descarbonização do fundo soberano de Cingapura, o Temasek, que aportou valores não revelados.

O TIG é hoje uma das maiores gestoras de investimentos florestais do mundo, acumulando US$ 7,5 bilhões em ativos e compromissos e 1,2 milhões sob gestão nos Estados Unidos e na América Latina, segundo dados do quarto trimestre de 2025.

Resumo

  • O BTG Pactual Timberland Investment Group (TIG), braço de investimentos florestais do banco, acaba de concluir captação de US$ 370 milhões
  • Recursos serão aportados em nova estratégia de implantação de florestas comerciais sustentáveis na América Latina
  • A meta do TIG é conseguir US$ 1,5 bilhão em aportes em cinco anos

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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