A população de Mundo em 1970 era de 3.700.000 (três mil e setecentos milhões); Neste 2026, estamos com 8.400.000.
No ano mil da era cristã, éramos 275 milhões. E se Jesus nasceu há dois mil anos, a população mundial de então seria de cerca de 150 milhões.
Os números indicam o óbvio: Mais gente, mais problemas. Mais comida necessária; mais conflitos pelos recursos e controlo alimentar; Além disso, as pessoas deslocam-se muito mais entre países, viajam com intervalos de horas entre terras das mais longínquas. O que eram viagens de meses sobre o mar, hoje são horas. Vive-se mais rápido; multiplicaram-se as quantidades de ações e obras realizadas em menos tempo e constrói-se os resultados de uma vida, agora até virtual e instantaneamente.
Aonde nos leva esta corrida humana?
Há quem afirme que a menos um Mega desastre ponha termo à vida no planeta, esta acabará por extinguir-se a si própria pela sobrepopulação. Enquanto outros animais se extinguem pela ação dos humanos, estes definiram o seu final derradeiro, eliminando-se pela falta de bens essenciais.
No controlo necessário desta população humana que não para de crescer, os sistemas democráticos têm diante de si desafios enormes. As regras mudarão conforme as necessidades sociais e nacionais. No entanto, com a cada vez maior facilidade na deslocação entre países, os próprios países podem desaparecer, as fronteiras invisíveis e a irmandade igualitária dos povos se renderem à óbvia necessidade de todos pela sobrevivência.
Será fácil para os autocratas. Basta exercer a força e o medo. Difícil será governar em liberdade social e definir em simultâneo as leis que podem reger toda a livre sociedade.
Um estudo publicado em 2020 na prestigiada revista ‘The Lancet’ contradizia de forma direta a previsão da Organização das Nações Unidas (ONU) em relação ao crescimento da população mundial. Na época, a ONU afirmou que em 2100 o planeta teria 11,2 bilhões de habitantes. A revista indica, por sua vez, que a tendência crescente alcançará o seu pico em 2060 e, a partir daí se reduziria até chegar a 8,8 bilhões até 2100, graças à melhoria do nível educacional das mulheres e um maior acesso a métodos contracetivos.
Os mais otimistas acreditam que por mais egoísta que seja, o humano repudiará sempre a sua extinção e tudo fará para continuar neste ou noutro planeta.
Para todo este exponencial aumento populacional, contribuíram as descobertas da ciência que eliminaram as epidemias e muitas doenças, aumentaram a esperança de vida infantil, reduziram quase a zero a natividade fatal para mãe e recém-nascido e prolongaram a existência de cada um de nós. A ironia das coisas. Melhoramos muito a humanidade, mas a qualidade pode ser vencida pela quantidade daí resultante.
Hoje é difícil exercer política. O Povo está muito informado e cada vez menos se deixa formatar por maquiavélicos exercícios de poder.
O segredo de sobrevivência política, está cada vez mais na transparência dos comportamentos, na honestidade sincera das ações, na rapidez da resposta que possa antecipar-se às notícias digitais que surgem a seguir a qualquer atuação. Quanto mais se refugiarem em subterfúgios com a finalidade de menosprezar o eleitorado, pior serão os resultados. É essencial um maior desprego ao chamado ‘poder’.
O pior político, é aquele que se deixa endeusar ao ponto de deixar de reconhecer que errou.
Afinal… “errare humanum est” – Errar é intrinsecamente humano.
José Soares