A corrida global para descarbonizar o setor de aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração (AVAC-R) ganhou um novo desafio único no mercado brasileiro. Ao contrário dos Estados Unidos e da Europa, que concentram esforços na substituição de matrizes elétricas fósseis por fontes renováveis, o Brasil enfrenta a barreira inversa. Como a energia elétrica nacional já é majoritariamente limpa, a redução da pegada de carbono do setor exige estratégias operacionais focadas em eletrificação do aquecimento e controle de emissões de fluidos refrigerantes.
O setor de climatização é hoje um dos principais centros de consumo energético em indústrias, hospitais, shoppings e data centers. À medida que as empresas aceleram suas metas ESG (Environmental, Social and Governance) para os próximos anos, a identificação de soluções específicas para a realidade brasileira tornou-se uma questão de sobrevivência competitiva.
“Em mercados norte-americanos e europeus, descarbonizar está muito associado a substituir uma fonte de eletricidade poluente por energia limpa. No Brasil, essa equação muda. As frentes com maior impacto imediato na redução de emissões são a eletrificação do aquecimento (quando o aquecimento é feito por meio de queima de combustíveis fósseis) e a gestão de fluidos refrigerantes”, explica Alexandre Sermarini, engenheiro de Aplicação e Energia da Trane.
O fim da queima de combustível
A principal rota de transição indicada para o mercado nacional é a eletrificação de processos que ainda dependem de combustíveis fósseis para gerar calor. Tecnologias como as bombas de calor substituem caldeiras convencionais por sistemas elétricos de alta eficiência, enquanto soluções de recuperação térmica permitem reaproveitar o calor gerado pelo próprio sistema de ar-condicionado, eliminando fontes de queima adicionais.
Paralelamente, a gestão de fluidos refrigerantes é apontada como um dos pontos mais críticos do setor. Vazamentos de gases com elevado Potencial de Aquecimento Global (GWP) representam parcela expressiva das emissões invisíveis de grandes instalações. A migração para refrigerantes de baixo impacto ambiental, combinada com protocolos rígidos de manutenção e recolhimento do material, tornou-se a métrica mais cobrada por auditorias ambientais.
“A eficiência energética continua fundamental para reduzir custos e aliviar a infraestrutura elétrica do país, mas seu papel na descarbonização aqui é estratégico e preventivo. O ganho real em créditos de carbono e metas climáticas está na ponta da operação”, complementa Sermarini.
Essa virada operacional se apoia na modernização tecnológica das instalações (HVAC), ferramentas de automação predial, monitoramento digital e sensores baseados em inteligência artificial são as ferramentas utilizadas para garantir resultados auditáveis, transformando a responsabilidade ambiental em diferencial de mercado.
