Um estudo abrangente, realizado em 55 países, trouxe à tona informações preocupantes sobre o descarte inadequado de bitucas de cigarro em praias muito frequentadas. Anualmente, cerca de quatro trilhões e meio de bitucas são descartadas no meio ambiente. Entre 2013 e 2024, o Brasil ocupou a quarta posição em um ranking de contaminação, superado apenas por Irã, Chile e Tailândia.
As praias mais afetadas no Brasil incluem Boa Viagem e Porto de Galinhas, em Pernambuco, além de Perequê e Santa Cruz dos Navegantes, no Guarujá, São Paulo.
O engenheiro ambiental Victor Vasques Ribeiro, que liderou a pesquisa e é doutorando no Instituto do Mar da Unifesp, alerta que os compostos químicos presentes nas bitucas se dispersam rapidamente, especialmente ao entrarem em contato com a água do mar. Em questão de semanas, esses materiais tóxicos são liberados no ambiente, podendo ser fatais para diversas espécies marinhas.
Ribeiro também destacou que os cigarros contêm mais de sete mil substâncias químicas, sendo pelo menos 150 delas tóxicas. O filtro dos cigarros, por sua vez, leva muito tempo para se decompor, fragmentando-se em microplásticos que afetam a vida marinha e, consequentemente, a saúde de quem consome esses organismos.
O fato de o Brasil estar entre os países com praias severamente contaminadas não surpreende o pesquisador, que observa que, embora o consumo de cigarros tenha diminuído, ainda é bastante elevado.
“Campanhas de conscientização e iniciativas de limpeza de praias são fundamentais. No entanto, o foco principal deve ser a luta contra a indústria do tabaco, que perpetua o vício e a contaminação ambiental, enquanto lucra com isso.”
O estudo também revela que áreas com proteção ambiental, especialmente aquelas com regulamentações rigorosas, podem reduzir a contaminação em até dez vezes em comparação a locais sem proteção. Contudo, mesmo parques nacionais e reservas marinhas não estão imunes ao problema, já que as correntes marítimas podem transportar lixo de áreas distantes, afetando essas regiões.
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