A praticidade de comprar frutas e vegetais já cortados atrai muitos consumidores. No entanto, especialistas alertam que esse hábito exige atenção, já que o corte elimina uma importante barreira natural contra microrganismos.
Quando a fruta permanece inteira, a casca protege a polpa da ação de bactérias e outros contaminantes. Porém, assim que essa proteção é rompida, a parte interna fica exposta e pode se tornar um ambiente favorável para a proliferação de microrganismos como Salmonella, Escherichia coli (E. coli) e Listeria.
Além disso, o risco de contaminação pode começar ainda durante o processo de corte.
Faca pode transferir bactérias para a polpa
Frutas como melão e melancia crescem em contato direto com o solo e, por isso, acumulam microrganismos na superfície da casca. Dessa forma, quando uma faca atravessa essa camada externa, pode carregar contaminantes para a parte interna do alimento.
Se o utensílio não for higienizado corretamente entre os cortes, a chamada contaminação cruzada pode ocorrer repetidamente, aumentando os riscos para o consumidor.
Casos de contaminação já provocaram mortes
Os riscos não são apenas teóricos. Em 2011, um surto de Listeria associado ao consumo de melões contaminados nos Estados Unidos infectou mais de 140 pessoas e provocou 33 mortes.
Posteriormente, em 2018 e 2019, autoridades sanitárias norte-americanas emitiram alertas após identificar surtos de Salmonella ligados ao consumo de melancias e melões pré-cortados. Os casos resultaram em dezenas de hospitalizações.
No Brasil, a detecção de Salmonella em lotes de melão exportados levou à emissão de alertas sanitários pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Segundo especialistas, esses episódios tiveram algo em comum: falhas nos processos de manipulação, armazenamento ou transporte dos alimentos.
Temperatura influencia diretamente na segurança
Outro fator decisivo é a conservação adequada. Frutas cortadas podem permanecer fora da refrigeração por, no máximo, três horas, desde que estejam protegidas da luz solar e mantidas em ambiente ventilado.
Entretanto, nem sempre essas condições são garantidas nos pontos de venda. Gôndolas mal reguladas, excesso de manipulação por clientes e falta de informações sobre a data de corte podem aumentar os riscos.
Além disso, a bactéria Listeria apresenta uma característica preocupante: ela consegue sobreviver e continuar se multiplicando mesmo em temperaturas de refrigeração.
Como comprar frutas cortadas com mais segurança
Apesar dos riscos, especialistas destacam que não é necessário evitar completamente esses produtos. Em vez disso, o consumidor deve observar alguns critérios antes da compra.
Entre os principais cuidados estão:
- Verificar se o alimento permanece refrigerado;
- Conferir a data de corte ou validade;
- Observar as condições de higiene do local;
- Avaliar se a embalagem está íntegra;
- Evitar produtos com excesso de líquido ou sinais de vazamento.
Grupos de risco precisam redobrar a atenção
Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com o sistema imunológico comprometido devem ter cuidados ainda maiores.
Para esses grupos, especialistas recomendam evitar frutas cortadas quando não for possível verificar as condições de manipulação e armazenamento.
Por fim, nutricionistas reforçam que frutas e vegetais cortados não representam, por si só, um perigo. No entanto, a segurança do consumo depende diretamente da higiene, da refrigeração adequada e dos cuidados adotados ao longo de toda a cadeia de manipulação.
