O ESG deixou de ocupar o campo das boas intenções para assumir papel central na estratégia empresarial. Em um ambiente de maior pressão regulatória e exigência de investidores, práticas ambientais, sociais e de governança passaram a integrar o núcleo das decisões corporativas. Não é mais diferencial competitivo; é requisito.
Resultados financeiros seguem essenciais, mas já não bastam isoladamente. Empresas são avaliadas pela gestão de impactos ambientais, pessoas e governança. Esse conjunto de fatores influencia o acesso a crédito, a atração de investimentos e a permanência em cadeias produtivas.
No Brasil, a agenda avança com marcos regulatórios e maior atuação de órgãos de controle, especialmente no campo da transparência e da governança corporativa. A Comissão de Valores Mobiliários, por exemplo, tem ampliado exigências informacionais e reforçado a necessidade de divulgação consistente de dados relevantes ao mercado, em linha com padrões internacionais. Na prática, isso exige a organização de indicadores, relatórios e políticas capazes de evidenciar compromisso efetivo, e não apenas discurso.
O mercado também elevou o nível de cobrança. Grandes companhias e fundos de investimento passaram a exigir critérios ESG de fornecedores e parceiros. Negócios que não se adaptam arriscam perder espaço, contratos e relevância.
Mais do que atender a normas, a agenda ESG impacta diretamente a gestão de riscos e a tomada de decisões. Questões como mudanças climáticas, diversidade e integridade corporativa deixaram de ser periféricas. Tornaram-se fatores capazes de afetar resultados, reputação e continuidade operacional.
Por outro lado, empresas que incorporam o ESG de forma estruturada tendem a ganhar eficiência, fortalecer sua marca e relações com seus públicos. A consistência dessas práticas gera confiança, ativo decisivo em contextos de instabilidade.
O recado é claro: ESG não é mais escolha estratégica, mas condição para competir. Em um mercado que valoriza transparência, responsabilidade e visão de longo prazo, adaptar-se deixou de ser opção. É questão de sobrevivência empresarial.
Emília Doroteu é advogada
