Empreendedorismo ambiental: e se a sustentabilidade nascesse junto com o negócio?Empreendedorismo ambiental: e se a sustentabilidade nascesse junto com o negócio?
Empreendedorismo ambiental (Créditos: Meu Bolso em Dia)

Outro dia, em uma roda de conversa informal em uma certa universidade, ouvi uma frase de um aluno de administração: “Professor, eu tenho a impressão de que primeiro a gente fatura, depois a gente vê a parte ambiental.” Ele não disse isso por maldade. Disse porque foi exatamente assim que aprendeu e aprende. Foi assim que muita gente da minha geração aprendeu também.

E aqui vai a provocação desta Semana do Meio Ambiente: por que ainda ensinamos empreendedorismo como se o meio ambiente fosse um capítulo opcional no fim do livro?

Nas escolas de negócios, o lucro costuma ser o ponto de partida. A sustentabilidade entra depois, quando sobra orçamento, quando o marketing pede, quando a regulação aperta. Vira remendo, vira greenwashing, vira custo. E o “final” em que tudo se ajeita quase nunca chega. É curioso que, nessas escolas de negócios, a sustentabilidade entre depois, quando sobra orçamento.

Agora imagine o inverso. Uma universidade que ensina desde cedo a ideia de empreender na área ambiental, algo que ensine como um negócio pode ser financeiramente saudável e ambientalmente positivo ao mesmo tempo? Não um equilibrando o outro, mas os dois nascendo da mesma raiz.

Eu vivo isso na prática. Quando criei a O2eco, a tecnologia ambiental não era um departamento que veio depois do plano de negócios; ela era o plano de negócios. Tratar água, desidratar lodo de forma inteligente, devolver rios à vida — tudo isso é impacto ambiental e modelo comercial ao mesmo tempo. E o mercado respondeu.

Sem dúvida não foram anos fáceis; enfrentamos pandemia, enfrentamos ceticismo, mas tudo isso faz parte de uma construção de um novo “modus operandi”. Mas também fomos reconhecidos como Global Tech Innovator pela KPMG, e eu e meus sócios recebemos o prêmio Empreendedor do Ano na categoria Impacto Socioambiental pela Ernest & Young.

Não conto isso para me gabar; ao contrário, conto porque é a prova viva de que empreender na área ambiental não é o freio do lucro. Pode ser o motor.

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Saneamento, biotecnologia ambiental, economia circular e energia são setores que provam todos os dias que dá para fazer dinheiro fazendo o certo. Existe mercado, existe demanda, existe investidor procurando exatamente isso. Mas, para ser algo mais sistêmico, a conversa precisa começar antes. Precisa começar na universidade.

Não só nos cursos de meio ambiente, mas nas escolas de economia, de administração, de engenharia. Empreendedorismo ambiental não deveria ser eletiva de sexta-feira à noite. Deveria estar no centro da formação de quem vai construir os negócios das próximas décadas.

A pergunta que fica é simples: vamos continuar formando empreendedores que tratam o planeta como uma despesa a equilibrar depois ou gente que já enxerga a sustentabilidade como parte do próprio lucro?

A Semana do Meio Ambiente passa todo ano. A mudança de mentalidade, essa a gente escolhe começar agora.

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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