Coluna Alice Ferraz – Damien Ortega no MASP. Foto: Colagem de Thais Barroco sobre fotos de Tiago Queiroz/Estadão/Caio Ciuccio/Divulgação Foto: Colagem de Thais Barroco sobre fotos de Tiago Queiroz/Estadão/Caio Ciuccio/Divulgação

Ao entrar na sala do Masp, onde está instalada La CosaCósmica, de Damián Ortega, a sensação é a de assistir a uma explosão suspensa no ar.

O artista mexicano desmontou um Fusca inteiro e transformou o carro em constelação: cada peça flutua separada, em diálogo com a arquitetura brutalista do museu. “Pensei em fazer um diagrama tridimensional para mostrar cada comunicação, cada contato de uma peça com a outra, e como isso era um grande sistema onde tudo é indispensável”, conta à Coluna. “Daí surge a ideia de um big-bang, de uma grande explosão.”

Damián Ortega, Cosmic Thing, 2002.  Foto: Helene Toresdotter/Divulgação

A obra nasceu de uma memória afetiva. Ortega ganhou do pai um Fusca antigo e decidiu desmontá-lo para entender o que havia ali dentro. “Aprendi a dirigir com o Fusca. Foi o carro em que uma pessoa foi à praia pela primeira vez, se apaixonou, teve aventuras. Há uma relação emocional muito importante”, diz.

Para ele, talvez seja justamente isso que faz a instalação atravessar públicos tão distintos — da criança ao especialista em arte. “A arte tem essa capacidade. Não é uma lei, não é uma ciência. É uma experiência compartilhada.”

Menos mecânica, mais relações humanas

Diante da obra, Ortega fala menos de mecânica e mais de relações humanas. “Tudo funciona por comunicação. A eletricidade manda o sinal, o ar circula, as peças dialogam entre si”, explica. Para ele, o fascínio está justamente naquilo que conecta o todo — não apenas na função. “Não é economia, é afeto.”

Damián, Ortega Monster, 2019. Acervo MASP. Foto: Gerardo Landa Rojano/Divulgação Foto: Gerardo Landa Rojano/Divulgação

Em cartaz no MASP pela primeira vez, o artista também aproveita a passagem por São Paulo para refletir sobre a distância entre Brasil e México. “Às vezes conhecemos melhor países muito distantes do que nossos próprios vizinhos. Seguimos olhando para Europa e Estados Unidos, e pouco para o coração da América Latina.”

Damián Ortega. Controller of the Universe, 2007 Foto: Divulgação

Outro ponto que atravessa a obra de Ortega é a ideia da ferramenta como extensão humana. “Se eu tiro as lentes, talvez não veja com clareza. Então elas se tornam uma ferramenta, uma extensão do meu corpo”, afirma.

Damián Ortega, Prometeo, 1992. Cortesia do artista [Courtesy of the artist], Cidade do México [Mexico City] Foto: Arquivo Pessoal

Para o artista, toda tecnologia carrega potência e ambiguidade. “A ferramenta faz o melhor e também o pior. Depende do uso, da ética para utilizá-la.”

Encantado com os avanços da inteligência artificial, ele prefere olhar para a tecnologia menos pelo medo e mais pela capacidade de ampliar sentidos, traduzir idiomas, aproximar pessoas e criar novas perspectivas. “Tudo isso se torna uma grande ferramenta humana.”

Alma Mater, 2008. Foto: Gerardo Landa Rojano/Divulgação Foto: Gerardo Landa Rojano/Divulgação

Damián Ortega: matéria e energia

Endereço: MASP – Avenida Paulista, 1578

Data: 15 de maio de 2026 até 09 de setembro de 2026

Ingressos: Até R$ 85,00

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By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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