ESG Pulse<strong>Ana Paula destacou potencial de evolução do pilar Social</strong>

A agenda ESG já está presente na hotelaria, mas o desafio do setor passa agora por transformar ações dispersas em uma gestão mais estruturada, mensurável e integrada. Essa é uma das principais conclusões do Radar ESG da Hotelaria, iniciativa da Declaração de Belém para o Turismo Sustentável e do Hub ESG Hotel Business, apresentada por Hélio Brito Júnior, CEO da ESG Pulse, e Ana Paula Arbache, CEO da Arbache Innovations, durante o Encontro de Gente Hoteleira, promovido pelo Hotelier News em parceria com a HotelConsult.

O estudo busca traçar uma fotografia da maturidade ambiental, social e de governança dos empreendimentos hoteleiros. A pesquisa reuniu 50 respondentes de diferentes perfis e regiões do país. O questionário contemplou dados de identificação e dos empreendimentos, além de 52 questões distribuídas entre perfil operacional, maturidade ESG — nos pilares de Governança, Ambiental e Social — e integridade da comunicação. A avaliação utilizou uma escala de 1 a 5, com base em respostas autodeclaradas.

“O ESG precisa ser comprovado por meio de dados. Quem mede, aparece. Acabou a era em que se pode falar que é sustentável sem provar isso”, afirmou Júnior no início da apresentação do Radar ESG. Os resultados mostram que o pilar Social é atualmente o mais desenvolvido, com nota média de 3,84, sustentado principalmente pela conformidade trabalhista. Ambiental e governança aparecem empatados, ambos com 3,36, enquanto a média geral de maturidade ESG ficou em 3,53.

A distribuição dos participantes por estágio reforça um cenário intermediário de desenvolvimento. Segundo o levantamento, 13% estão no estágio latente, 16% no inicial, 29% em estruturação, 26% no consolidado e 16% no avançado. Assim, três em cada 10 respondentes ainda estão nos dois primeiros níveis de maturidade, enquanto 42% já se encontram nos estágios consolidado ou avançado.

Práticas avançam, mas estrutura ainda é desafio

O Radar mostra que parte relevante da agenda ESG já chegou à rotina dos hotéis. Entre as práticas analisadas, 56% foram classificadas como estruturadas e em operação, enquanto 11% estão em desenvolvimento parcial. Outros 31% ainda não existem ou estão apenas começando.

Na governança, o levantamento identifica alguns dos principais pontos de atenção. Entre as práticas mais bem avaliadas aparecem Comunicação Pública de Sustentabilidade, com nota 3,87; Proteção de Dados e LGPD (3,84); ESG na Experiência do Hóspede (3,73); e ESG em Expansão e Reforma (3,58).

Na outra ponta estão Política ESG de Fornecedores (3,03), Relatório de Sustentabilidade (3,00), Pesquisa com Hóspedes (2,97) e Matriz de Materialidade (2,90). Para o estudo, o avanço da governança exige que as empresas não apenas executem e comuniquem suas iniciativas, mas também estabeleçam prioridades, métricas e formas de comprovação.

No eixo ambiental, o cenário revela maior desenvolvimento nas práticas relacionadas ao acompanhamento do consumo. Monitoramento de Água recebeu nota 4,00, seguido por Monitoramento de Energia (3,94), Energia Renovável (3,84) e Redução de Plástico (3,83).

Já Conservação e Regeneração (2,80), Inventário de Carbono (2,77) e Reúso e Captação de Água (2,39) ficaram entre as práticas com menores avaliações. A leitura apresentada pelo Radar é de que o setor já mede recursos, mas precisa avançar na transformação desses dados em metas e impacto.

“Não é necessário ter um portfólio enorme de iniciativas. Só é preciso que elas sejam coerentes com o negócio”, explicou Ana Paula durante a apresentação.

Pilar social lidera maturidade ESG

No aspecto Social, os melhores resultados estão diretamente ligados às relações de trabalho e à cadeia local. Contratos Formalizados atingiram 4,52, Contratação Local chegou a 4,50, Desenvolvimento de Carreira ficou em 4,35 e Fornecedores Locais alcançaram 4,16.

Há, contudo, oportunidades para ampliar essa atuação para além dos limites dos empreendimentos. Treinamentos em Sustentabilidade receberam nota 3,63; Parcerias com ONGs, 3,57; Conselho Diverso, 3,13; e Parcerias com Universidades, 2,80.

Ana Paula Arbache
Ana Paula destacou potencial de evolução do pilar Social

“O que já é feito está sendo bem executado, mas ainda há espaço para evoluir neste sentido”, reforçou Ana Paula sobre o pilar Social.

O levantamento também procurou identificar o que diferencia os hotéis com maior maturidade ESG. Segundo os resultados, ter um responsável ou uma área dedicada ao tema apresenta a maior diferença positiva no score médio, de 1,40 ponto. Possuir certificação ESG aparece em seguida, com diferença de 1,36 ponto, enquanto participar de uma associação de sustentabilidade representa uma diferença de 1,03 ponto.

Os dados indicam, portanto, que a maturidade não está relacionada apenas ao tamanho ou à presença de uma bandeira hoteleira. A existência de uma estrutura capaz de coordenar e dar continuidade às iniciativas aparece como fator relevante entre os empreendimentos mais avançados.

Cinco caminhos para a evolução

A partir do diagnóstico, o Radar ESG da Hotelaria aponta cinco frentes para o avanço do setor: responsabilizar, definindo quem lidera e coordena a agenda; estruturar, fortalecendo governança, materialidade, riscos e indicadores; mensurar, transformando informações sobre água, energia, carbono e pessoas em metas e resultados; conectar, ampliando parcerias com universidades, organizações, fornecedores e territórios; e comprovar, garantindo evidências e rastreabilidade para uma comunicação ESG confiável.

A conclusão do levantamento é que a hotelaria já dispõe de uma base de boas práticas. O próximo estágio, porém, depende de incorporá-las de maneira mais estratégica à gestão, transformando as iniciativas ambientais, sociais e de governança em uma atuação integrada, mensurável e respaldada por evidências.

(*) Crédito das fotos: Bruno Churuska/Hotelier News

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART