SUV híbrido plug-in melhora na rodagem e no conforto.
Quase um ano depois de ser apresentado na fábrica de Camaçari (BA), o Song Pro PHEV ganhou sua versão flex (aquela que aceita etanol) e olha, é o primeiro híbrido plug-in flex da marca a estrear no mercado. Foi essa versão que a In Road testou durante alguns dias.
Antes de entrar no SUV, visualmente, o Song Pro recebeu uma caprichada atualização. A dianteira estreia a nova identidade visual da marca, “o bigode do dragão”, com nova grade, novo para-choque e faróis redesenhados. Há também novas rodas e um acabamento diferente nas colunas traseiras. As lanternas de trás mudaram internamente. O visual está mais atualizado que antes.

A bordo, há bastante espaço, tecnologia e bom gosto nos detalhes.
Dentro, a evolução é ainda mais perceptível. A cabine abandonou os tons claros em favor de um revestimento escuro, mais elegante e menos suscetível à sujeira. A qualidade percebida continua sendo um dos pontos altos do SUV. Por toda parte notam-se materiais macios ao toque e montagem caprichada. O painel é todo em black piano.
Outro ponto que gostei foi a adoção do seletor de marchas na coluna de direção, liberando um bom espaço no console central. No lugar surgiram um carregador de celular por indução com refrigeração e um ambiente mais organizado.
A tela multimídia deixa de ser giratória e ganha um novo software com Google integrado, moderno e intuitivo. O volante passa a ter quatro raios, em vez de três. A forração do aro é suave e agradável.
Os bancos dianteiros continuam muito confortáveis, com amplos ajustes elétricos — agora também para o passageiro na versão GS. Teto panorâmico, retrovisor interno fotocrômico, limpadores automáticos e cinco novas funções dos sistemas ADAS completam a lista de novidades.
O que mudou?
Sob o capô que está a maior novidade. O conjunto mecânico mantém o motor 1.5 a combustão trabalhando em conjunto com um motor elétrico. A potência combinada chega a 218 cv na versão GL e 219 cv na GS, enquanto o torque máximo é de 30 kgfm. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 8,6 segundos (GL) e 8,8 segundos (GS), com velocidade máxima de 180 km/h.
Na prática, com a aquisição do etanol, ele perdeu potência e torque e, por consequência, ficou mais lento na aceleração de 0 a 100 km/h. O Song Pro híbrido flex ficou até 17 cv menos potente e perdeu 13 kgfm de torque em relação ao modelo que só rodava com gasolina.
Em uma conversa informal com o Portal In, em seu lançamento em São Paulo, segundo Volker Heumann, diretor de desenvolvimento de produto da BYD, o objetivo do novo motor nunca foi aumentar o desempenho. O foco foi elevar a eficiência energética e reduzir as emissões de CO₂ utilizando etanol.
Os números comprovam. Segundo o Inmetro, o Song Pro passou a registrar consumo energético de apenas 0,53 MJ/km na versão GL e 0,55 MJ/km na GS, tornando-se o SUV médio mais eficiente do país. A autonomia elétrica chega a 72 km na versão mais cara e o alcance combinado prometido pela marca é de 1.105 km com gasolina ou 805 km com etanol na versão GS.
Ao volante
No asfalto, o Song Pro está mais firme, oscila menos e transmite mais confiança. Na terra batida, apesar da maior firmeza da suspensão, o rodar continuou confortável. Mas, em uma ocasião, sentimos uma pancada de fim de curso ao passar por um buraco que nem era tão profundo assim. Bom, ficou evidente que a suspensão evoluiu (e muito) graças à nova calibração. O conjunto de molas e amortecedores foi claramente mais adaptado ao gosto do motorista brasileiro. Como resultado, o Song Pro perdeu aquele comportamento macio demais, que resultava em solavancos e chacoalhões, além de trazer uma direção mais firme. O pedal do freio, por outro lado, permanece mais alongado do que deveria e exige firmeza do motorista no primeiro estágio ao pressioná-lo.

Traseira está em hamonia com o modelo como todo.
Ajuste individual
Em configuração normal, a direção é exageradamente leve e anestesiada. A dica é abrir o configurador do veículo na central multimídia e ajustar a direção separadamente para o modo mais firme. Melhora muito a sensação ao volante. Também é possível aumentar individualmente o nível de regeneração de energia.
O espaço interno continua a ser um dos maiores trunfos do Song Pro, graças aos 2,71 metros de entre-eixos. Há espaço de sobra para as pernas e o assoalho plano favorece quem viaja atrás. O porta-malas aumentou a capacidade para 530 litros, 10 l a mais que antes, e continua a superar Toyota Corolla Cross (440 l) e Jeep Compass (476 l) com sobras.
Consumo
Falando em consumo, a versão GL registrou, no Inmetro, 12,1 km/l na cidade e 10,7 km/l na estrada quando abastecido com etanol. A mesma versão, com gasolina, faz 16 km/l na cidade e 13,9 km/l.
Na configuração topo de linha (GS), as médias são de 11,7 km/l na cidade com etanol e 10,5 km/l com o mesmo combustível na estrada. Já com gasolina, as médias sobem para 16 km/l na cidade e 13,9 km/l em rodovias.

