A nova ordem mundial e o fluxo de negócios entre EUA e Brasil | Mercado 1 de 1 Serec, do TozziniFreire: operações internacionais chegavam de forma passiva, mas agora cresce a estratégia de aproximação direta — Foto: Divulgação

Ao largo da discussão tarifária, o fluxo de capital para investimentos em empresas entre os Estados Unidos e o Brasil começa a dar sinais mais concretos de retomada em 2026, mas em um formato diferente daquele ao qual o mercado estava acostumado. Dados da plataforma TTR Data mostram que, no primeiro trimestre deste ano, o volume de transações envolvendo investidores americanos e ativos brasileiros alcançou R$ 17,95 bilhões, distribuídos em 30 operações com valores divulgados, de um total de 48 transações.

Esse número representa um aumento de 18% em volume financeiro quando comparamos com o mesmo período do ano passado, que teve R$ 15,19 bilhões em 25 operações que autorizaram a publicação de valores (de 47 no total). O foco das operações está concentrado nos setores de infraestrutura, tecnologia, energia e mercado financeiro.

O movimento tem menos relação com uma estratégia de gestão de risco e mais com uma busca seletiva por ativos considerados estratégicos, resilientes e com capacidade de geração de valor no longo prazo. Na prática, investidores estrangeiros passaram a priorizar operações mais estruturadas, com diligências mais profundas e foco em ativos com maior previsibilidade regulatória e governança mais sofisticada.

Esse novo perfil também vem alterando a dinâmica dos escritórios de advocacia brasileiros. Se antes boa parte das operações internacionais chegava ao país de forma mais passiva, por meio de relacionamentos históricos ou fluxos naturais de mercado, hoje cresce entre as firmas a estratégia de aproximação direta com investidores e parceiros internacionais.

Serec, do TozziniFreire: operações internacionais chegavam de forma passiva, mas agora cresce a estratégia de aproximação direta — Foto: Divulgação

Para isso, presença mais frequente de escritórios brasileiros em grandes centros de decisão global de negócios, como Nova York por exemplo, deixou de ter caráter apenas institucional e passou a fazer parte de uma metodologia concreta de desenvolvimento de negócios, fundamentada na aproximação com fundos, bancos, gestoras e firmas internacionais.

O ambiente macroeconômico também ajudou para essa aproximação. A expectativa de continuidade da trajetória de queda da Selic, combinada à necessidade global de diversificação de portfólio e à demanda por ativos ligados à transição energética e infraestrutura, recoloca o Brasil no radar de investidores internacionais.

Ao mesmo tempo, o mercado jurídico brasileiro passou a competir de forma mais ativa pela construção desses relacionamentos. O networking internacional, antes concentrado em reputação institucional, tornou-se parte relevante da estratégia comercial dos escritórios, especialmente nas áreas de M&A, mercado de capitais, arbitragem e temas regulatórios.

O resultado é um mercado menos baseado em volume oportunístico e mais concentrado em operações complexas, estruturadas e de longo prazo, movimento que começa a aparecer tanto nos números das transações quanto na mudança de comportamento dos agentes envolvidos.

Mais do que um novo ciclo de capital, o que começa a se desenhar é uma mudança na forma como investidores internacionais e agentes locais constroem relações, identificam oportunidades e estruturam negócios entre Brasil e Estados Unidos. Existe uma sensação de que o apetite para negócios está bom e o mercado está faminto. Já temos o primeiro IPO saindo em 2026 na B3, depois de alguns anos.

Essa relação tende a se tornar ainda mais intensa, considerando o cenário econômico e político que deve se abrir após as eleições. Os cenários estão desenhados e cada um deles, seja quem for o vencedor, tudo já está precificado e determinado.

A expectativa de retomada dos investimentos também levou os escritórios brasileiros a reforçarem sua presença internacional e ampliarem a atuação junto a investidores e parceiros estratégicos nos Estados Unidos, em um movimento que vem ganhando força nos últimos anos.

O ambiente mais construtivo ficou evidente nas conversas recentes que tivemos com parceiros internacionais em Nova York. A percepção é de que o Brasil voltou ao radar de investidores estrangeiros, especialmente para operações mais estruturadas e setores de longo prazo, com expectativa positiva para o crescimento do fluxo de investimentos nos próximos anos.

É motivo mais do que suficiente para se animar com o que vem pela frente.

*Fernando Serec é CEO do TozziniFreire Advogados

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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