Por Eduardo Puccioni

São Paulo, 02/06/2026 – A decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de revogar a obrigatoriedade de divulgação de informações financeiras sobre sustentabilidade surpreendeu e decepcionou especialistas da área. Gestores de fundos, consultores de investimentos, empreendedores com foco em critérios ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança) repercutem e tentam entender o porquê da mudança desde a publicação, no fim da última sexta-feira (29/05).

“Esse anúncio da CVM antes de mais nada, foi uma surpresa, porque estamos a menos de um ano da implementação da medida. O setor privado não faz as coisas de repente. Vem se preparando há muito tempo”, afirmou Sonia Consiglio, especialista em ESG e Sustainable Development Goals (SDG) Pioneer pelo Pacto Global da ONU.

Consiglio, que já foi diretora da B3, lembra que em 2012 foi lançado pela própria Bolsa brasileira o “relate ou explique”, uma diretriz que exigia que empresas de capital aberto divulgassem anualmente suas práticas de sustentabilidade ou justificassem publicamente por que não tinham. “Essa não é uma temática nova para o mercado. Ainda estou impactada. Está todo mundo absorvendo isso. As empresas investiram e vem investindo muito para fazer essa publicação”, acrescentou Consiglio.

“Entendo que, quando anunciou isso [a obrigatoriedade da publicação], a CVM fez toda uma análise para entender se era viável ou não. É absolutamente viável. As empresas têm muito dinheiro e muito tempo já investidos para essa preparação”, afirma Consiglio.

A especialista diz que ainda há conversas com a CVM sobre a decisão recente de derrubar a obrigatoriedade da divulgação das práticas ESG e que está torcendo para que ocorra uma reversão da última decisão da CVM. “Vimos legislações europeias que foram flexibilizadas, relacionadas à agenda ESG, prazo que foi esticado, abrangência de iniciativas que foi mudada. Não vejo problema em flexibilizar se for necessário”, pontua.

Consiglio acredita que a revogação não foi um pedido da maior parte do mercado à CVM. “Sempre vai ter várias demandas de vários lados, mas não é uma demanda do mercado generalizado. Existem segmentos que fazem as suas pressões naturais pelos seus interesses. Então, isso não é um clamor do mercado para que CVM revogasse, definitivamente não é.”

A revogação

A publicação dos reportes se tornaria obrigatória a partir do exercício iniciado em 1º de janeiro de 2026, mas voltou a ser voluntária. A mudança está prevista na resolução CVM 244, que foi editada e reforma a resolução 193.

“As alterações têm como objetivo aperfeiçoar o modelo de adoção voluntária, preservando a transparência e a comparabilidade trazidas pela necessidade de observância dos padrões contábeis, mas resgatando o necessário respeito à liberdade das entidades para estimar os custos e benefícios esperados de suas decisões sobre como usar os recursos dos investidores”, disse a reguladora em nota.

Contato: eduardo.puccioni@estadao.com

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *