Especialista entende que o avanço da destruição ambiental aprofunda a precarização da vida dos trabalhadores e que se faz necessário consolidar um novo paradigma de desenvolvimento.

A defesa da biodiversidade está diretamente ligada à luta por condições dignas de vida e trabalho. Essa a opinião do supervisor do Núcleo de Monitoramento Ambiental do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN (Idema), Sérgio Macedo. Para ele a preservação ambiental não pode ser tratada como uma pauta isolada, distante da realidade da classe trabalhadora, mas como um elemento essencial para garantir saúde, segurança, emprego e justiça social.

Segundo Macedo, proteger a biodiversidade significa preservar a variedade de seres vivos e ecossistemas responsáveis pela segurança alimentar, pela regulação climática, pela saúde coletiva e pelo equilíbrio econômico. “É através do desenvolvimento sustentável que se preservará o meio ambiente para as presentes e futuras gerações. Defender a biodiversidade significa defender as condições dignas de preservação da vida humana e animal e, consequentemente, preservar as condições de trabalho digno”, afirma.

O Supervisor do Idema argumenta que é necessário consolidar um novo paradigma de desenvolvimento, capaz de unir geração de emprego e sustentabilidade ambiental. Para ele, o avanço da destruição ambiental amplia desigualdades e aprofunda a precarização da vida dos trabalhadores.

Meio ambiente e classe trabalhadora

Na avaliação de Sérgio Macedo, a questão ambiental se aproximou cada vez mais da realidade da classe trabalhadora justamente porque os impactos da degradação ambiental recaem de forma mais intensa sobre a população pobre. Ele destaca que atividades econômicas operando sem controle ambiental adequado expõem trabalhadores a situações insalubres e perigosas.

“Há uma relação direta entre poluição e impactos na vida da classe trabalhadora. Atividades impactantes, sem condições mínimas de trabalho, aumentam a exposição dos trabalhadores a ambientes de risco”, ressalta.

Por isso, ele defende a organização dos trabalhadores junto aos sindicatos como instrumento fundamental de enfrentamento ao modelo predatório de exploração dos recursos naturais. “A luta deve ser por justiça social e ambiental”, resume.

Contaminação, agrotóxicos e mudanças climáticas

O supervisor do Idema chama atenção para os impactos concretos da devastação ambiental sobre a saúde dos trabalhadores. Em muitos casos, segundo ele, homens e mulheres são expostos diretamente a substâncias tóxicas, à contaminação do solo, da água e do ar, sem proteção adequada.

Os trabalhadores rurais estão entre os mais vulneráveis. Macedo aponta que a aplicação indiscriminada de agrotóxicos e a contaminação de rios, lagoas e açudes afetam diretamente a agricultura familiar e a saúde das comunidades do campo. A situação se agrava quando não há acesso a Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados.

Além disso, ele observa que a população mais pobre costuma viver em áreas ambientalmente frágeis, próximas a indústrias poluentes, encostas de morros, regiões alagáveis ou locais sem saneamento básico. Nessas áreas, os efeitos das mudanças climáticas se tornam ainda mais severos. “As mudanças climáticas interferem diretamente no ambiente de trabalho, principalmente com o aumento das temperaturas em atividades realizadas a céu aberto, afetando a saúde, a segurança e o bem-estar dos trabalhadores”, afirma.

(Matéria escrita por Leilton Lima.)

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *