A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) ampliou o mapeamento nacional de áreas com potencial para captura, transporte, utilização e armazenamento de carbono – em um movimento que reforça o papel da tecnologia nas estratégias brasileiras de transição energética e descarbonização industrial.
A nova edição do caderno técnico divulgado pela estatal vinculada ao MME (Ministério de Minas e Energia) atualiza análises anteriores e incorpora novos critérios metodológicos para identificar regiões com maior aptidão para desenvolvimento de projetos ligados ao armazenamento geológico de CO₂.
Segundo a EPE, o objetivo é oferecer subsídios técnicos para o planejamento energético nacional e para a formulação de políticas públicas voltadas à economia de baixo carbono. O estudo também busca apoiar o ordenamento territorial das futuras atividades relacionadas ao CO₂ no país.
A publicação destaca que tecnologias de captura e armazenamento de carbono vêm ganhando relevância internacionalmente, sobretudo em setores considerados de difícil descarbonização, como siderurgia, cimento, refino, fertilizantes e indústria pesada.
Logística e geologia
Um dos principais pontos do estudo é a identificação de áreas onde fatores geológicos e condições logísticas se alinham de forma mais favorável à implantação de projetos de CCUS.
Segundo as conclusões da EPE, a concentração histórica da infraestrutura logística brasileira nas regiões litorâneas do Sudeste e Nordeste favorece o desenvolvimento de hubs de captura e transporte de carbono em larga escala, especialmente por meio de dutos e instalações portuárias.
O estudo aponta que a combinação entre polos emissores industriais, infraestrutura existente e áreas com potencial geológico adequado aumenta a probabilidade de viabilização econômica dos projetos.
Ao mesmo tempo, a estatal alerta que a expansão dessa infraestrutura para o interior do país exigirá investimentos robustos, além da consolidação de um arcabouço regulatório mais claro e instrumentos capazes de reduzir riscos financeiros para os empreendedores.
Conforme o documento, os desafios observados no Brasil são semelhantes aos enfrentados internacionalmente, onde o transporte e o armazenamento geológico costumam representar os principais gargalos da cadeia de CCUS devido ao elevado CAPEX e à complexidade regulatória.
Bioenergia é diferencial brasileiro
Entre as conclusões mais relevantes do estudo, a EPE destaca o potencial estratégico do setor de bioenergia para desenvolvimento das chamadas emissões negativas.
O documento aponta que o Brasil reúne condições particularmente favoráveis para expansão de projetos de BECCS — tecnologia que combina bioenergia com captura e armazenamento de carbono.
Na avaliação da estatal, a disponibilidade de biomassa sustentável, a maturidade tecnológica do setor sucroenergético e a integração histórica da bioenergia com políticas climáticas colocam o país em posição privilegiada para desenvolver essa rota tecnológica.
O estudo também observa que as emissões dos chamados setores “hard-to-abate” – de difícil descarbonização – permanecem altamente concentradas no Sudeste brasileiro, enquanto Nordeste e Sul aparecem como polos secundários de emissão industrial. Esse desenho territorial fortalece a lógica de criação de hubs regionais próximos aos grandes clusters industriais.
Próxima etapa
A EPE afirma que os avanços metodológicos implementados aumentaram o poder de discriminação do mapa nacional de CCUS, ampliando sua utilidade para orientar decisões de investimento e planejamento.
O estudo conclui que o Brasil possui condições favoráveis para o avanço das rotas de captura e armazenamento de carbono aplicadas tanto ao setor energético quanto industrial, além de sinergias com outras estratégias de descarbonização.
Apesar disso, o documento ressalta que a consolidação desse mercado dependerá da aceleração coordenada de políticas públicas, mecanismos de mitigação de riscos e estímulos a projetos pioneiros.
Como próxima etapa, a estatal pretende avançar para avaliações quantitativas mais detalhadas sobre capacidade de armazenamento e potencial de captura, aprofundando o conhecimento técnico sobre o tema e fortalecendo a inserção brasileira no mercado global de soluções climáticas.

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