O meu país recebeu, mais uma vez, “dois murros no estômago” e com indícios tremendos de “geadas negras” no horizonte. E a oposição não ajuda nada. Pelo contrário, quer e pretende retirar dividendos políticos. E vislumbra cenários “dantescos”. Só para complicar. Ou azedar ânimos. Então, o PS não se conforma com a irrelevância que conquistou por incapacidade.
1 – Depois de uma governação de oito anos e meio de ilusões e de andar de pernas presas, com os serviços públicos depauperados até à exaustão e com renacionalizações ideológicas (TAP, EFACEC) a despropósito, o governo de Montenegro tinha em mãos um capital de confiança dado pelo eleitor que lhe conferia condições optimizadas para recuperar os serviços públicos, para apagar fantasias extremistas (até o logótipo de Portugal era de brincar), para recolocar a economia na linha do crescimento efectivo e para se preocupar com salários e pensões que são, de um modo geral, bastante baixos em relação aos países concorrenciais.
2 – Os problemas do país não são de agora. (O governo até tem feito um trabalho meritório). Acumularam-se ao longo dos tempos por incompetência, por ideologia e por laxismo de quem nos governou. O país está, por isso, quase sempre em debilidade económica, pobreza social, alto endividamento financeiro. Qualquer pequena “borrasca” que aconteça torna-se numa grande e complicada desgraça, com desgaste evidente para a vida estabilizada de muitas famílias e das empresas, criadoras de emprego e de riqueza. A verdade é que o país não tem reservas para enfrentar esses problemas, nem tão pouco se dedicou com afinco à tarefa de criar condições para se manter firme perante as adversidades. O país, se não cai logo à primeira intempérie, fica irremediavelmente aturdido e perdido. Resta-lhe esperar por ajudas europeias como de costume.
3 – Quando o governo tentava mitigar os dossiês herdados, complicados e insanáveis, da Imigração, da Saúde, da Habitação, entre outros, chegou em força um “comboio” de fenómenos atmosféricos (primeiro murro) que arrasou e afligiu sem dó algumas zonas do país. A resposta foi célere, só que a dimensão da tempestade deixou muita gente com as “calças na mão”, não sabendo como reagir ao desastre. Estava tudo a caminhar para a resolução pontual dos problemas ocasionados pelas alterações climáticas (?), quando surge a guerra no Médio Oriente (segundo murro), provocando o caos no custo da energia, arrastando em cadeia todos os restantes produtos, entre os quais os alimentares para altos preços que afunda ainda mais as dificuldades sentidas no quotidiano.
4 – A sina nacional está traçada no dia-a-dia dos portugueses. O retrato genérico não é confortável para se pensar em altos voos ou em estabilidade social. Com uma taxa de pobreza significativa; com a maioria esmagadora de salários e de pensões a não chegarem a mil euros; com uma dívida pública de 280,9 mil milhões de euros; com uma demografia autóctone miserável; com uma população cada vez mais envelhecida; com um Interior sem gente; com crescimentos económicos pífios não se augura bom futuro para as próximas gerações, apesar do país ter a camada jovem mais formada e mais preparada de todos os tempos.
Pode-se formar, preparar, instruir os nossos jovens, se não houver forte investimento reprodutivo, industrialização, arrojo, boas governações, os resultados serão sempre medíocres, restando aos nossos diplomados seguirem o caminho da emigração, como tem acontecido até agora.
5 – Quem poderá inverter esta sina triste? Não temos mais Cavaco Silva, nem Passos Coelho. Luís Montenegro tem feito um bom trabalho. Merece nota positiva. Contudo, uma coisa é certa: não queiramos voltar a experimentar de novo o “socialismo”. Esta gente já falhou e de forma clamorosa por três vezes: Guterres (fugitivo-pântano); Sócrates (bancarrota); Costa (fugitivo-empobrecimento). Neste campo, a solução seria meter o “socialismo” na gaveta como fez em tempos Mário Soares. Mas, agora teria de ser para sempre! Quem não percebe isto?!
