Um grupo de moradores afetados por rachaduras nas residências e excesso de poeira no ar, no entorno da Mineração Vale Verde (MVV), em Craíbas, ocupou a galeria da Câmara de Vereadores, na noite da quinta-feira (28), para cobrar à empresa a imediata indenização pelos prejuízos causados pelas explosões semanais para a retirada de cobre, ferro e outro no solo do município agrestino.
A participação dos diretores da MVV e da defensora pública estadual Brígida Barbosa, na sessão legislativa, foi de autoria do vereador Nando Rosendo.
A Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) também marcou presença na sessão com estudantes Willian Almeida Melo, Sandro Maciel, Yasmin Vitória e os professores Moisés Calu e Inaldo Valões.
O grupo desenvolve pesquisas acerca do aumento da atividade sísmica e tremores de terra em Craíbas e Arapiraca e a relação com a atividade mineradora entre os dois municípios.
Durante a sessão na Câmara, na noite desta quinta-feira (28), o vereador Nando Rosendo indagou a direção da MVV se empresa tem algum plano de soluções para a entrega de moradias provisórias ou definitivas para os proprietários das 14 residências já interditadas pela Defesa Civil Municipal.
Negação
O gerente da mineradora, Breno Martins, voltou a negar qualquer responsabilidade da empresa com as rachaduras nas casas localizadas principalmente no Povoado Pau Ferro, e chamou as explosões de “desmontes controlados” que, segundo ele, seguem todas as normas técnicas e ambientais.
O representante da MVV disse que a responsabilidade da doação de moradias é Prefeitura de Craíbas, que pode pagar o aluguel social às famílias enquanto o estudo sobre a questão não tiver sido iniciado e concluído pela Universidade de Ouro Preto, de Minas Gerais.
Ação Civil Pública
Na ocasião, a defensora pública e representante do Núcleo de Proteção Coletiva de Arapiraca, Brígida Barbosa, disse que a tragédia ocorrida na Barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, a mineradora de lá também alegava seguir todas as normas e lei ambientais.
Brígida Barbosa é autora de uma Ação Civil Pública contra o Município de Craíbas cobrando transparência na aplicação das verbas recebidas como Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) para reparar os impactos da atividade nos povoados do entorno da MVV, localizada no Povoado Serrote da Laje desde o ano de 2021.
A Defensoria Pública da União (DPU), por meio do defensor Diego Alves, também ingressou com uma Ação Civil Pública para que a mineradora contrate estudos técnicos e realize meios de equipar as Defesas Civis Municipais de Craíbas e de Arapiraca para o acompanhamento de riscos na região.
Ao final da sessão, coordenada pelo presidente da Câmara Municipal, José Marcos, o vereador Nando Rosendo sugeriu a realização de uma audiência pública com a convocação de representantes da Defesa Civil Municipal, Procuradoria do Município de Craíbas, diretores da MVV e de vários órgãos do município estado e da União para ouvir os moradores e encontrar uma solução definitiva para o problema que já afeta dezenas de famílias em Craíbas.