Guterres condena morte de soldado da ONU no Líbano, a sétima em quatro meses “Os ataques contra o pessoal de manutenção da paz devem parar”, apelou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres <span class="credit">Issei Kato/REUTERS</span>

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou nesta quinta-feira a morte de um soldado sérvio da missão de paz no Líbano e alertou que ataques contra forças da ONU “podem constituir crimes de guerra”.O porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, indicou em comunicado que o secretário-geral expressou as “mais profundas condolências” à família, amigos e colegas do membro das forças de manutenção da paz que morreu, assim como “ao Governo e ao povo da República da Sérvia”.A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) tinha anunciado, horas antes, a morte de um dos seus capacetes azuis que foi atingido por projécteis de morteiros perto de Marjayoun, no Sudeste do Líbano, na noite de quarta-feira. O militar sérvio foi transportado para um hospital em Beirute, onde acabou por morrer. Outros dois elementos da missão ficaram feridos e encontram-se a receber tratamento médico.Numa publicação no X, a FINUL afirmou ter “detectado um número cada vez mais elevado de trajectórias e impactos no Sul do Líbano” e sublinhou que “a violência tem de terminar”. A missão anunciou também a abertura de uma investigação para determinar “as circunstâncias exactas que conduziram a este trágico incidente” e apelou a que todos os intervenientes garantam a segurança do pessoal das Nações Unidas.A força de manutenção da paz pediu ainda às autoridades nacionais competentes que investiguem o caso, levem os responsáveis à justiça e assegurem a sua responsabilização criminal. “Os ataques deliberados contra capacetes azuis constituem graves violações do direito internacional humanitário e da Resolução 1701 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, podendo configurar crimes de guerra”, escreveu na mesma publicação.A FINUL não tinha identificado a vítima, mas, entretanto, o Ministério da Defesa da Sérvia disse tratar-se do sargento Milovan Jovanovic, destacado no Líbano ao serviço da missão das Nações Unidas. De acordo com a Reuters, Jovanovic, que faria 37 anos no sábado, era casado, tinha dois filhos e estava na sua primeira missão de manutenção da paz. A agência noticiosa avança ainda que os feridos são um militar de El Salvador e o outro de Espanha, embora Madrid tenha identificado ambos como espanhóis.Pedro Sánchez condenou o ataque e apresentou condolências pela morte do militar sérvio, desejando também uma rápida recuperação aos dois soldados feridos. “A nossa mais absoluta condenação e o nosso apoio a quem defende a paz sob a bandeira das Nações Unidas. Esperamos que todas as partes cumpram integralmente o cessar-fogo anunciado ontem (quarta-feira)”, escreveu o presidente do Governo espanhol nas redes sociais, adiantando que o ataque aconteceu à base Miguel de Cervantes.António Costa, presidente do Conselho Europeu, que se encontra em Belgrado, também apresentou condolências pela morte do soldado sérvio “ao serviço da paz”, durante uma conferência de imprensa ao lado de Aleksandar Vucic, Presidente da Sérvia.Não foi identificada a autoria do ataque, mas o ataque ocorreu na zona onde a missão de paz da ONU opera, na área entre a fronteira de facto com Israel e o rio Litani, uma das zonas mais afectadas pelos confrontos entre as forças israelitas e o Hezbollah.O líder da ONU recordou que sete membros das forças de manutenção da paz que prestavam serviço na FINUL foram mortos desde a escalada das hostilidades no início de Março e vários outros ficaram feridos. Os anteriores ataques que resultaram na morte de capacetes azuis já foram atribuídos a Israel e ao Hezbollah. “Os ataques contra o pessoal de manutenção da paz devem parar”, apelou Guterres, enfatizando que tais acções constituem “graves violações do direito internacional humanitário” e “podem constituir crimes de guerra”.As declarações de Guterres acontecem no mesmo dia em que o Hezbollah rejeitou um novo cessar-fogo no Líbano e Israel afirmou que não retiraria as suas tropas do país, esvaziando o acordo de cessar-fogo assinado no dia anterior entre israelitas e libaneses e prejudicando a intenção dos EUA para pôr fim aos combates na região e estabelecer a paz com o Irão.Também nesta semana, o secretário-geral escreveu aos membros do Conselho de Segurança da ONU para enfatizar a necessidade de uma presença militar uniformizada contínua no Líbano após o fim do mandato da FINUL, que acontece no final do ano.A Força Interina das Nações Unidas no Líbano foi criada em 1978 para supervisionar a retirada das tropas israelitas do Sul do Líbano após a invasão de Israel. Permanecem no Líbano cerca de 7500 soldados da paz, que actuam ao longo da Linha Azul, uma faixa de demarcação de 120 quilómetros, que ainda serve como zona tampão entre o Líbano e Israel.

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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