A Semana do Economista 2026 reunirá, em Fortaleza, representantes do Banco Mundial, UNIDO, Banco do Nordeste, Sudene e especialistas para discutir os desafios da infraestrutura, energia, inovação e desenvolvimento do Nordeste. Em entrevista ao Economic News Brasil, Sérgio Melo defende mais agilidade em investimentos e qualificação profissional para ampliar a competitividade da região.
O Nordeste vive uma das maiores oportunidades das últimas décadas para atrair investimentos em energia renovável, hidrogênio verde, data centers e transformação digital. Ao mesmo tempo, enfrenta gargalos de infraestrutura, burocracia e qualificação profissional que podem comprometer esse ciclo de crescimento. É para discutir esses desafios que Fortaleza receberá, nos dias 12 e 13 de agosto, o Fórum Capital & Desenvolvimento – O Nordeste na Agenda Global, principal evento da Semana do Economista 2026, promovido pela Academia Cearense de Economia.
O encontro reunirá representantes do Banco Mundial, da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), do Banco do Nordeste (BNB), da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), universidades e lideranças empresariais para discutir propostas capazes de acelerar o desenvolvimento regional.
Em entrevista ao Economic News Brasil, o presidente da Academia Cearense de Economia, Sérgio Melo, afirmou que o desafio do Nordeste já não é convencer investidores sobre seu potencial, mas criar as condições para que esses investimentos realmente saiam do papel.
“Há um grande descompasso no Nordeste quando se trata dos investimentos em energia renovável e infraestrutura. As oportunidades são enormes, mas é preciso um programa claro para o desenvolvimento“, afirmou.
Transmissão de energia tornou-se o principal gargalo da nova economia
Na avaliação de Sérgio Melo, o principal desafio da região deixou de ser a geração de energia e passou a ser sua capacidade de transmissão. Segundo ele, os investimentos em fontes renováveis cresceram de forma acelerada, mas a infraestrutura não acompanhou essa expansão.
O economista afirma que não basta ampliar parques eólicos e solares se a energia produzida não consegue chegar aos consumidores e às empresas interessadas em investir na região.
“Não adianta novos investimentos em energia renovável, seja eólica ou solar, se não há como distribuir essa energia e, o que é pior, não existe solução de curto prazo para esse problema“, destacou.
O cenário ganha ainda mais importância diante da crescente procura por áreas aptas a receber data centers, impulsionados pela expansão da inteligência artificial e da computação em nuvem. Essas estruturas exigem elevado consumo de energia e fornecimento contínuo.
“Estamos em um momento de enorme procura por instalações de data centers, que consomem muita energia. É indispensável resolver o quanto antes o problema da transmissão por meio de linhas de alta e média tensão“, afirmou.
Segundo Sérgio Melo, superar esse gargalo permitirá ampliar investimentos privados, estimular novos empreendimentos, gerar empregos qualificados e fortalecer a competitividade da economia nordestina.
Celeridade e menos burocracia são prioridades para destravar projetos
Além da infraestrutura elétrica, Sérgio Melo defende maior rapidez na implantação de projetos estruturantes.
Para ele, transição energética, saneamento, hidrogênio verde, logística e transformação digital representam oportunidades históricas para o Nordeste, mas ainda enfrentam processos burocráticos que retardam investimentos.
“A região Nordeste necessita manter vivo o debate sobre transição energética, saneamento, hidrogênio verde e transformação digital. É necessária mais celeridade na implantação desses investimentos, porque são infraestruturas que impulsionam o desenvolvimento sustentável.”
Na avaliação do economista, o tempo de execução desses projetos será determinante para que o Nordeste aproveite o atual ciclo de investimentos em energia limpa e tecnologia.
Inteligência artificial exige profissionais preparados
Outro ponto destacado pelo presidente da Academia Cearense de Economia é que a formação de mão de obra especializada será tão importante quanto os investimentos em infraestrutura.
Segundo ele, o avanço da inteligência artificial e da digitalização aumentará a demanda por profissionais qualificados em setores ligados à energia, saneamento, hidrogênio verde e tecnologia.
“A transformação digital é importantíssima neste momento em que a economia gira em torno da alta tecnologia e, principalmente, da inteligência artificial. Mas não menos importante é a formação de mão de obra para suportar esses investimentos.”
Para Sérgio Melo, atrair empresas sem investir na qualificação profissional pode criar um novo gargalo ao desenvolvimento, reduzindo a capacidade da região de aproveitar plenamente essa nova fase econômica.
Legenda da imagem: Semana do Economista 2026 será realizada nos dias 12 e 13 de agosto, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), em Fortaleza. O Fórum Capital & Desenvolvimento reunirá organismos internacionais, instituições financeiras, universidades e setor produtivo para discutir os desafios e oportunidades da economia nordestina.

Fórum reúne especialistas para discutir o futuro econômico do Nordeste
Promovido pela Academia Cearense de Economia, em parceria com o Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), o Fórum Capital & Desenvolvimento contará com quatro painéis temáticos sobre os principais desafios estruturais da região.
A programação reunirá representantes do Banco Mundial, UNIDO, Sudene, Banco do Nordeste, Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), além de pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Estadual do Ceará (UECE), Universidade de Fortaleza (Unifor) e Instituto Federal do Ceará (IFCE).
Os debates abordarão transição energética, clima e resiliência no semiárido, águas e saneamento, energia renovável, hidrogênio verde, infraestrutura, transformação digital, inovação e economia azul, aproximando academia, setor produtivo e organismos multilaterais na construção de propostas para o desenvolvimento regional.
Para Sérgio Melo, a expectativa é que o fórum vá além das discussões técnicas e contribua para acelerar decisões que fortaleçam o ambiente de negócios e ampliem a competitividade do Nordeste.
“Acreditamos que, ao final da Semana do Economista e do Fórum Capital & Desenvolvimento, novas luzes serão lançadas na busca por acelerar o tão necessário desenvolvimento do Nordeste“, concluiu.
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