Arthur Gabriel
O Café com Ciência, projeto de divulgação científica do Instituto de Física da Universidade Federal de Goiás (IF/UFG), abordou uma temática que voltou a ocupar o centro das discussões no Brasil e, em especial, em Goiás, com o lançamento da minissérie da Netflix Emergência Radioativa.
A discussão sobre o acidente com o césio-137 em Goiânia reuniu os professores Walter Ferreira e Fernando Pelegrini, físicos que participaram ativamente da identificação do material à época; a jornalista Carla Lacerda, que publicou um livro-reportagem sobre as vítimas e sobreviventes do césio; e Emerson Itikawa, professor do curso de Física Médica da UFG.
Walter é o físico que desempenhou um papel essencial na identificação e contenção do césio-137. Segundo ele, a narrativa proposta pela minissérie da Netflix, na qual ele é retratado, se aproxima muito dos fatos. “A série, em muitos momentos, se mostrou verdadeira e coerente com aquilo que de fato aconteceu. É de extrema importância relembrar esse episódio da nossa história, já que, ao longo do tempo, ele foi esquecido de nosso imaginário”.
O professor detalhou, à luz da física, os métodos de detecção e descontaminação dos principais pontos da cidade. “Ao longo do processo, cerca de seis casas tiveram que ser demolidas; foi preciso também realizar levantamentos radiométricos constantes em toda a cidade”.
Já a jornalista Carla Lacerda contou que procurou, ao longo do livro Sobreviventes do Césio-137, costurar a história de três sobreviventes do césio: os pais de Leide das Neves – a menina de 6 anos que morreu pela contaminação – e Wagner Mota, um dos homens que encontraram a cápsula de césio no antigo Instituto Goiânia de Radioterapia.
Carla procurou complementar a narrativa biográfica do livro com relatos de outros sobreviventes, que enfrentam sequelas e marcas do césio. A jornalista apontou que os veículos de comunicação estigmatizaram os envolvidos no acidente, que ficaram à mercê de preconceitos, estereótipos e apagamento ao longo do tempo.
Participação da UFG
O professor Fernando Pelegrini falou sobre a participação do Instituto de Física da UFG na época do acidente. Segundo ele, quando se teve consciência da magnitude do acidente, foi criado um núcleo de acompanhamento do césio-137, que contou com a colaboração de diversos professores que estavam vinculados ao instituto na época.
Ele acrescentou que, desde aquela época, existe uma lacuna informacional acerca da maneira como ocorre a contaminação por césio. “É preciso construir uma educação e formação científicas capazes de satisfazer as necessidades da população, e para que o acidente do césio não seja apagado da memória de cada um”.
O professor Emerson Itikawa falou sobre a importância do desenvolvimento científico no cuidado de pacientes e vítimas radiológicas em decorrência do acidente. Segundo ele, técnicas e pesquisas são desenvolvidas a fim de prevenir acidentes e garantir a segurança, e para que materiais e equipamentos radiológicos não sejam descartados de qualquer forma.
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