Dilma Campos conta trajetória como empreendedora ao Terra  Foto: Divulgação/ICS

Dilma Campos tornou-se dona da própria empresa, a Nossa Praia, uma agência de live marketing voltada para ESG

Imagem: Divulgação/ICS

  • Adrielle Farias
    Adrielle Farias



Dilma Campos é palestrante do evento Tempo de Mulher

Dilma Campos é palestrante do evento Tempo de Mulher

Depois de sete anos em duas empresas do mesmo grupo, Dilma Campos começou a perceber que diversos colegas de trabalho já haviam alcançado cargos na vice-presidência ou presidência, enquanto ela permanecia estagnada. Mesmo com muita dedicação e esforço ao longo dos anos, o tratamento com ela era diferente. E isso precisava mudar.

“Foi a primeira vez na minha vida que realmente o racismo estrutural tinha paralisado meu crescimento, porque ele sempre esteve presente. Mas você vai desviando e evoluindo de outras formas. Você quer seguir em linha reta, então você vai se reinventando para estar nesse lugar corporativo”, conta em entrevista ao Terra.

Aos 53 anos, Dilma é CEO da Nossa Praia, uma agência de live marketing voltada para o mercado ESG. Ela é uma das palestrantes do Tempo de Mulher, evento voltado para lideranças femininas. O empreendedorismo foi a maneira que ela encontrou de ser dona do próprio negócio. Ou melhor, ser CEO do próprio negócio. A jornada como empresária começou quando ela tinha por volta dos 40 anos. Mas antes, é preciso revisitar a base que levou ela ao ápice de sua jornada profissional. 

Passarinho, que som é esse?



Dilma Campos fez parte do Castelo Rá-Tim-Bum

Dilma Campos fez parte do Castelo Rá-Tim-Bum

Foto: Reprodução/Instagram/Castelo Rá-Tim-Bum

Aos 13 anos, Dilma começou a ter aulas de balé. Seu primeiro emprego foi como professora auxiliar de bailarinas menores. O aprendizado da dança é algo que ela carrega até hoje. Em seguida, vieram as aulas de teatro e o trabalho em eventos corporativos, sempre indicados por pessoas que ela conhecia.

Não demorou muito para que ela fosse convidada a integrar o elenco do Castelo Rá-Tim-Bum na TV Cultura. Ela começou no quadro Senta Que Lá Vem História, e depois passou a fazer parte do elenco de passarinhos, como a personagem Patativa. Junto com outros dois atores, ela formava um trio que cantava uma melodia que ficou gravada na memória das crianças da época: “Passarinho, que som é esse?”.

Na época, ela tinha 20 anos, estava recém-casada e, além do Castelo Rá-Tim-Bum, ainda continuava a trabalhar com eventos. O contato com eventos corporativos acendeu em Dilma uma paixão pela comunicação. “Eu queria fazer uma faculdade de comunicação porque eu já tinha entendido que o mercado corporativo e executivo olhava para esse lugar de formação. Mas eu ainda não tinha dinheiro para fazer. Eu ganhava meus salários, mas não dava”, afirma. 

Dilma acabou ganhando uma bolsa para estudar Odontologia e, por isso, optou por fazer o curso. Ela não seguiu na profissão e continuou trabalhando com eventos, principalmente na área de direção artística. “Fui me transformando em uma executiva até chegar em um grupo de publicidade. Esse grupo trabalhava tanto a parte de live marketing quanto a parte de eventos. Foi quando tive a sensação de que eu não estava crescendo lá, após sete anos. Isso começou a me incomodar.”

‘Empreender pode ser solitário’



Dilma Campos é CEO da Nossa Praia, empresa focada em ESG

Dilma Campos é CEO da Nossa Praia, empresa focada em ESG

O primeiro negócio de Dilma teve a ajuda de outros dois sócios. Ela explica que a empresa surgiu em uma boa época para a economia e que deu certo por um tempo, cerca de três anos. Mas por ter vindo de um lugar como executiva, ela não tinha noção de outros fatores que envolviam a administração de uma empresa.

“Eu sabia que precisava entregar muito trabalho e eu entregava. A gente sabe o quanto é duro empreender, mas por determinados fatores na época acabou não dando certo. Por conta de um cliente, fui empreender sozinha. Não era exatamente o que eu queria, mas eu precisava me sustentar e ajudar em casa. Eu vi uma oportunidade”, destaca. 

Com apenas um cliente, ela deu início ao seu primeiro negócio solo. Seu foco era a criatividade, por isso, ela precisou expandir seu conhecimento em gestão. Ela passou a se basear no que as empresas faziam e a entender cada área que sua empresa precisava para dar certo. 

“Não é que eu nasci para empreender, mas era aquilo que eu sabia fazer. Empreender é um movimento muito solitário e muito difícil. Se fosse fácil, todso seríamos empreendedores” — Dilma Campos ao Terra

Ela acrescenta que um evento como o Tempo de Mulher é a oportunidade ideal para trocar ideias com outras empresárias e dividir a jornada de empreendedorismo com outras mulheres que estão iniciando. “Você pode ter um ombro amigo para chorar ou para pedir um conselho, porque você não está acertando a mão na venda ou porque estava acertando e acabou desacertando. Eu já chorei com isso, mesmo dando certo fiquei com medo.”

ESG nos negócios



 Dilma Campos foi bailarina e atriz em 'Castelo Rá-Tim-Bum'

Dilma Campos foi bailarina e atriz em ‘Castelo Rá-Tim-Bum’

Foto: Divulgação

Na sigla em inglês, ESG significa Environmental, Social, and Governance, o que pode ser traduzido para Ambiental, Social e Governança. Comumente, é uma área da empresa responsável por pensar de maneira consciente e sustentável sobre o impacto das mudanças ambientais no mundo.

Antes da Nossa Praia, Dilma criou a Outra Praia, uma empresa que nasceu falando de diversidade, inclusão e gestão de resíduos. Mas naquela época, o termo ESG ainda não era tão usado, tendo em vista que se popularizou pelo mundo em meados de 2010.

“Eu falava sobre sustentabilidade e as pessoas demoravam para entender. Comecei a questionar os meus clientes sobre os motivos que levaram a escolher nossa empresa. Na pesquisa, eles começaram a falar sobre ESG, afirmando que nós fazíamos ESG. Falei: ‘Gente, está aí uma coisa que precisamos pegar pra gente. Os clientes já acham que somos’. Fizemos a mudança”, explica. 

Com a mudança do nome fantasia para Nossa Praia, a empresária passou a enxergar sua empresa, de fato, como especializada em ESG. “Passamos a trazer uma série de serviços e produtos que já tínhamos e a ressignificá-los. Abrimos uma plataforma de avaliação ESG para eventos e passamos a colocar outras matrizes de avaliação, como maturidade da empresa. Eu repactuei o meu negócio e passei a trazer um marketing regenerativo muito forte.”

Na prática, uma agência de live marketing com foco em ESG é responsável por planejar e executar ativações de marca e campanha incentivando a sustentabilidade e pensando no impacto social. Dilma dá um exemplo de um cliente o qual ela acabou de entregar um projeto regenerativo que foi inaugurado durante a festa do boi, em Parintins, no interior do Amazonas.

“Estamos formando agora 200 mulheres empreendedoras em artesanato. Dessas, 30 vão para a Europa. Porque o olhar para a ecojoia tem um valor diferente. Elas vão ter aula de e-commerce, de como vender para outros países, por exemplo. Segundo uma parceira nossa em Parintins, não existe um ateliê montado para esse tipo de aulas, por isso, essa empresa entrou com o projeto. Assim, a empresa deixa um legado regenerativo”, finaliza.

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *