Equipes de resgate intensificaram nesta segunda-feira (31) as buscas por centenas de trabalhadores presos em túneis de projetos hidrelétricos no Nepal, após uma avalanche de grandes proporções atingir a região próxima à fronteira com o Tibete.
Segundo as autoridades nepalesas, 933 trabalhadores estão presos ou desaparecidos em 11 empreendimentos hidrelétricos nos distritos de Rasuwa e Nuwakot, algumas das áreas mais atingidas pelo desastre. As entradas dos túneis foram bloqueadas por grandes volumes de lama, rochas, água e outros detritos.
Militares nepaleses utilizam escavadeiras, explosões controladas e equipamentos de iluminação para tentar abrir caminho. Com a entrada em dois túneis, as equipes conseguiram recuperar três corpos.
O desastre ocorreu na última quarta-feira e foi associado ao colapso de uma geleira. A avalanche arrastou gelo, pedras, lama e detritos, provocando inundações e destruindo áreas urbanas e rurais.
O balanço mais recente aponta 903 mortos e 4.247 desaparecidos no Nepal. No lado tibetano, autoridades chinesas registram 16 mortos e 546 desaparecidos. A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas tenham sido afetadas.
As operações contam com apoio de especialistas da China e da Índia. Cerca de 21 mil integrantes das forças de segurança nepalesas participam dos trabalhos, além de voluntários e trabalhadores civis.
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, classificou o episódio como um desastre natural devastador e sem precedentes. Segundo ele, as condições climáticas adversas, o terreno de difícil acesso e o risco de novos deslizamentos dificultam a avaliação dos danos e as operações de resgate.
As equipes também monitoram possíveis novos deslizamentos e lagos formados pelo bloqueio de rios. Uma cratera aberta após o colapso da geleira já alcançou cerca de 174 mil metros quadrados e contém um reservatório estimado em 2,5 milhões de metros cúbicos de água, aumentando o risco de novas inundações na região.
Autoridades chinesas afirmam que o desastre está relacionado à instabilidade das geleiras provocada pelos efeitos de longo prazo do aquecimento global. O governo da China informou ainda que mobilizou mais de 2,1 mil socorristas e destinou recursos para auxiliar nas operações de emergência.
Foto: Reuters
