Uma grande central de processamento de gás na região russa de Orenburg foi atingida durante a noite por um ataque com drones, provocando explosões, incêndios e restrições temporárias em aeroportos da zona, escreve o ‘Kyiv Post’. O Estado-Maior ucraniano confirmou mais tarde o ataque contra o complexo industrial, situado a mais de 1.200 quilómetros da linha de contacto.
A região de Orenburg fica no sul da Rússia, junto à fronteira com o Cazaquistão. De acordo com canais ucranianos de monitorização citados pelo jornal, foram registados vários incêndios no local industrial após as explosões, e dados de satélite indicavam diferentes focos de fogo dentro da instalação.
Moradores locais relataram pelo menos três impactos na zona industrial. As autoridades russas suspenderam temporariamente as operações no aeroporto de Orenburg, tendo sido também impostas restrições semelhantes em Orsk e Yasnoye, com interrupção do tráfego aéreo por motivos de segurança.
O governador da região de Orenburg, Yevgeny Solntsev, afirmou no ‘Telegram’ que a região tinha sido alvo de um “ataque massivo de drones” organizado pelo que chamou de “regime criminoso” das Forças Armadas da Ucrânia. Segundo o responsável, vários drones foram abatidos sobre uma instalação industrial e não havia registo de vítimas.
Solntsev apelou ainda à calma da população e avisou que é proibida a divulgação de fotografias e vídeos relacionados com drones.
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A central de processamento de gás de Orenburg, construída no campo de condensado de gás da região, é descrita por fontes russas como o “maior complexo químico de gás do mundo”. A instalação pertence à esfera da Gazprom e está envolvida na purificação e processamento de gás, bem como na produção de hélio.
Situada a cerca de 1.500 quilómetros da fronteira ucraniana, a unidade é considerada estratégica para o setor energético russo. É também a única produtora de odorantes naturais na Rússia e integra o projeto KazRosGaz, processando gás proveniente do campo de Karachaganak, no Cazaquistão.
O complexo já tinha sido alvo de ataques anteriores. Em outubro de 2025, um incêndio atingiu a instalação e a Gazprom reportou uma interrupção de emergência na entrada de gás. Em maio deste ano, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Ucrânia tinha atingido infraestruturas russas de gás na região de Orenburg.
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Numa atualização posterior, o Estado-Maior ucraniano confirmou o ataque contra a central de processamento de gás de Orenburg e contra a única fábrica de hélio da Rússia. Segundo a comunicação ucraniana, foi registado fogo em ambas as instalações, embora a extensão dos danos ainda estivesse a ser avaliada.
O Estado-Maior referiu que a central de gás e a fábrica de hélio de Orenburg formam um único complexo industrial. A central produz gás natural purificado e enxofre, este último usado, entre outras aplicações, na produção de explosivos e pólvora negra.
Já a fábrica de hélio processa gás purificado sem enxofre e, através de tecnologia de arrefecimento profundo, extrai componentes valiosos como hélio e etano. O hélio é usado em motores de foguetões de combustível líquido e em sistemas de orientação, enquanto o etano é uma matéria-prima importante para plásticos especializados, isolamento de cabos de aviação e plastificantes usados em combustível sólido para foguetões e pólvora.
De acordo com o relatório citado pelo Kyiv Post, a central de processamento de gás de Orenburg entrou em funcionamento em 1974, foi construída com participação estrangeira e tem capacidade anual para processar 45 mil milhões de metros cúbicos de gás. A instalação representa 60% de todo o gás processado pela Gazprom Pererabotka.
O ataque em Orenburg não foi o único incidente reportado durante a noite. O meio russo Astra relatou um incêndio numa habitação privada na região de Nizhny Novgorod, a cerca de um quilómetro da fábrica Electrokabel PN, depois de outro alegado ataque com drones.
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Moradores locais também apontaram a refinaria Lukoil-Nizhegorodnefteorgsintez, em Kstovo, como possível alvo. O governador regional, Gleb Nikitin, afirmou que duas pessoas morreram e duas ficaram feridas num ataque com drones contra uma instalação industrial. Segundo o responsável, 23 drones foram abatidos e destroços danificaram edifícios e veículos, embora não tenha especificado qual a infraestrutura atingida.
O Estado-Maior ucraniano não comentou, porém, qualquer envolvimento neste ataque em Nizhny Novgorod.
As forças ucranianas indicaram ainda ter atingido um depósito russo de drones FPV perto de Alekseyevka, na região russa de Belgorod, bem como pontos de controlo de drones em áreas de Chasiv Yar, na região de Donetsk, Basan e Hrozove, na região de Zaporizhzhia, Tyotkino e Popovo-Lezhachi, na região russa de Kursk, e Zhuravlyovka, em Belgorod.
Foram também confirmados danos em dois edifícios que posteriormente se incendiaram no Centro de Comunicações Espaciais de Vladimir, na Rússia. Esta infraestrutura apoia sistemas de comunicações por satélite e comunicações espaciais de longa distância, usados, entre outros, pelas forças de segurança russas.
Na Crimeia ocupada, Sevastopol ficou temporariamente sem eletricidade após um ataque noturno com drones contra infraestruturas energéticas, segundo o governador instalado por Moscovo, Mikhail Razvozhayev. O responsável afirmou que o apagão foi provocado por um ataque contra instalações de energia.
Canais ucranianos de monitorização reportaram explosões em várias zonas da Crimeia durante a noite. O canal Krymsky Veter indicou que a central térmica de Balaklava, em Sevastopol, terá sido um dos principais alvos, embora a extensão dos danos continue por esclarecer.
Também foram relatadas explosões em Bakhchysarai, Kerch e perto do monte Ai-Petri, onde se encontra uma instalação russa de radar. O apagão ocorreu depois de autoridades de ocupação terem anunciado cortes preventivos de eletricidade. Relatos preliminares indicavam que cerca de metade da Crimeia poderá ter sido afetada.
As perturbações seguem-se a sucessivos ataques contra infraestruturas energéticas e de combustíveis na península ocupada, incluindo alegados impactos em centrais e subestações elétricas. A venda de combustível a civis continua suspensa na Crimeia ocupada.
O Ministério da Defesa russo afirmou que 323 drones ucranianos foram intercetados durante a noite em várias regiões, incluindo Orenburg, Nizhny Novgorod, Crimeia e Mar Negro.
