Trabalhador chinês é resgatado dez dias após enchentes no Nepal
Pelo menos 1300 pessoas morreram na tragédia e cerca de 5 mil continuam desaparecidas. Crédito: AFP
A autoridade nepalesa de gestão de desastres informou nesta quarta-feira, 16, que revisou drasticamente os dados e que o número de pessoas consideradas desaparecidas após a enchente de 26 de agosto subiu para 6.150. O dado anterior apontava mais de 5.500 mil desaparecidos.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o ministro das relações exteriores do Nepal, Shisir Khanal, afirmou que o país asiático tem sido afetado pelas ações de outras nações ao sofrer com as mudanças climáticas.
“Nossa participação para as mudanças climáticas tem sido mínima”, afirmou ele. “É imperativo que aqueles na comunidade global que se beneficiam de economias maiores e muito mais poluentes — e cuja contribuição histórica para as emissões de gases de efeito estufa é muito maior do que a nossa — aceitem uma responsabilidade compartilhada. Isso afeta toda a humanidade.”
Para o Nepal, o desastre foi particularmente preocupante porque foi “um dos sinais de alerta mais fortes que já vivenciamos sobre o que está por vir”, disse o ministro nepalês, prevendo que tragédias parecidas podem se tornar um cenário recorrente em todo o mundo.

Trabalhadores removem os escombros após a enchente na região de Devighat, no distrito de Nuwakot, no Nepal Foto: Rajesh Kumar Singh / AP Photo
Khanal reconheceu que o valor da indenização que o Nepal solicitou à ONU “obviamente não é nem de longe suficiente para cobrir os danos que sofremos”. De acordo com algumas estimativas, o total dos danos causados pelas enchentes será superior a US$ 5 bilhões, embora Khanal tenha afirmado que esse valor possa ser ainda maior, com a reconstrução de mais de 20 mil casas e de uma rodovia, além de aldeias tendo a localização alterada para onde for mais seguro.
Atribuir a tragédia às mudanças climáticas tem sido corroborado pela ciência. A parte da montanha cujo deslizamento desencadeou as inundações mortais experimentou um calor sem precedentes para esta época do ano, mostram dados meteorológicos analisados por um pesquisador, de acordo com a agência de notícias AFP.
As temperaturas médias na geleira da montanha, a 5.200 metros de altitude, foram estimadas em cerca de cinco graus Celsius entre 21 e 26 de agosto. Trata-se de uma temperatura excepcionalmente alta para o local. Em mais de 55 anos de registros, os termômetros não superaram os quatro graus Celsius nesse mesmo período.
Essa série de temperaturas muito localizadas foi reconstituída por Robert Rohde, cientista-chefe da organização independente Berkeley Earth, com sede na Califórnia. No local da avalanche, a temperatura média registrada nesse período de seis dias aumentou cerca de 1,8º C desde meados do século XX.
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Sem o calor adicional das mudanças climáticas, um padrão de temperaturas comparável “provavelmente só ocorreria uma vez a cada milhares de anos”, estimou Rohde, em declarações à AFP.
A avalanche ocorreu durante o quarto verão mais quente já registrado na região, segundo análise da AFP com base em dados do observatório europeu Copernicus que remontam a 1970.
Os cientistas examinam os pequenos movimentos observados na montanha nos anos anteriores ao deslizamento, e sua interação com as mudanças de temperatura. / Com informações da AFP
