Notícias do Tocantins – A ampliação da Hidrovia Tocantins-Araguaia, considerada uma alternativa para o escoamento da produção tocantinense, enfrenta uma nova tentativa de impedir a retirada de rochas no Pedral do Lourenço, no Pará. Pescadores, comunidades tradicionais e pesquisadores pediram ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) o tombamento da área para protegê-la das intervenções.
Segundo reportagem publicada nesta quarta-feira (16) pela Folha de S.Paulo, o pedido está em avaliação preliminar. O protocolo ainda não representa tombamento nem confirma a suspensão da obra.
Embora a intervenção esteja prevista em território paraense, a disputa interessa ao Tocantins pela possibilidade de ampliar as alternativas de transporte de cargas rumo aos portos do Norte. O governo estadual já apresentou o derrocamento como uma obra com potencial para baratear o transporte de grãos e outras mercadorias tocantinenses. Trata-se de uma expectativa de benefício logístico, que depende da implantação e das condições de operação do corredor.
Explosivos para abrir passagem
O derrocamento consiste na retirada de formações rochosas para permitir a navegação de embarcações maiores, especialmente durante os períodos de águas baixas. A licença de instalação concedida pelo Ibama em maio de 2025 autoriza intervenções em 35 quilômetros, entre Santa Terezinha do Tauiry e a Ilha do Bogéa, além de estruturas de apoio e um paiol de explosivos.
A obra integra o projeto de ampliação do transporte de grãos, minérios e outras cargas do Norte e do Centro-Oeste pelo chamado Arco Norte. Para o Tocantins e a região agrícola do Matopiba, o interesse está na abertura de mais uma alternativa de acesso ao mercado externo.
Pesca e patrimônio em disputa
As comunidades defendem que o Pedral reúne valores históricos, arqueológicos, paisagísticos e conhecimentos tradicionais que precisam ser preservados. Em agosto, moradores realizaram um “tombamento popular”, ato simbólico de mobilização pela proteção da área.
Segundo o GT Infra, as formações rochosas oferecem abrigo e áreas de reprodução para peixes e sustentam práticas de pesca desenvolvidas ao longo de gerações. Levantamentos de arqueólogas também identificaram materiais associados a antigas ocupações em comunidades do entorno.
Dragagem ainda depende de licença
Além da retirada de rochas, o projeto prevê dragagem em outros 177 quilômetros do rio, etapa que ainda aguarda licenciamento. À Folha, o Dnit afirmou que busca melhorar a segurança e a navegabilidade e que acompanhará eventual procedimento formal de tombamento no Iphan.
