Uma tese de doutorado desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Tecnologia Ambiental (PPGETA) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) acendeu um alerta vermelho sobre a saúde dos rios São Camilo, Santa Fé e Pioneiro, no Oeste do Paraná. Os peixes dessas bacias apresentaram lesões nas brânquias, danos no fígado, alterações genéticas e altos níveis de estresse celular associados à contaminação hídrica.
A pesquisa, conduzida pelo Doutor Fernando Garrido de Oliveira sob orientação da professora Lilian Dena dos Santos, utilizou biomarcadores nos peixes como um “termômetro” biológico. Ao contrário de análises químicas pontuais, esses organismos revelam os efeitos contínuos do lançamento de defensivos agrícolas, fertilizantes, efluentes urbanos sem tratamento e resíduos de mineração na água.
Uso do solo e impactos na saúde e na economia
A degradação dos rios está diretamente vinculada ao modelo produtivo da região, pautado pela monocultura de soja e milho, pela retirada de vegetação ciliar e pelo escoamento superficial de agrotóxicos e fertilizantes. A elevação na turbidez da água, o excesso de sedimentos e o assoreamento ameaçam ecossistemas e a biodiversidade local, permitindo apenas a sobrevivência de espécies extremamente resistentes à poluição.
Além do desequilíbrio ecológico, os pesquisadores alertam para os riscos à saúde humana e aos negócios. Como esses corpos d’água abastecem a agricultura, a piscicultura, o consumo humano e a irrigação rural, substâncias nocivas e metais pesados podem se acumular na cadeia alimentar, além de aumentar o risco de proliferação de organismos patogênicos.

Ações prioritárias e reconhecimento acadêmico
Para reverter o cenário, os cientistas recomendam a recomposição imediata das matas ciliares, o tratamento de efluentes da piscicultura e do esgoto urbano, o controle da erosão e a implementação de práticas agrícolas sustentáveis.
Financiado pela Capes, CNPq e Fundação Araucária, o estudo foi eleito a melhor tese de 2025 do PPGETA/UFPR e teve artigo premiado pela Sociedade de Análise de Risco Latino-Americana (SRA-LA).
Fonte: Ciência UFPR, adaptado pela equipe Cães&Gatos.
