247 – Maria Luiza Pereira de Souza perdeu a filha Lavínia, de 7 anos, e a irmã em um acidente de ônibus ocorrido na madrugada de domingo (16), na altura de Petrópolis, durante uma viagem de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro. A tragédia deixou dez mortos. Sobrevivente do tombamento, a mineira afirma que percebeu sinais de perigo ainda durante o trajeto e decidiu permanecer acordada por temer que algo acontecesse. As informações são de O Globo.
No depoimento, Maria Luiza descreve uma viagem marcada, segundo sua percepção, por fortes balanços do veículo, velocidade elevada e barulhos durante a entrada na serra. Ela afirma que passageiros chegaram a pedir para que o motorista diminuísse a velocidade antes do acidente.
“Estava balançando demais, demais. O guia falou: ‘Ah, é normal, vocês nunca viajaram num ônibus de dois andares’. Todo mundo pedia: ‘Calma, motorista, não precisa correr tanto assim. Nós vamos chegar ao Rio.’ Cochilei e, quando acordei, estávamos entrando na serra. O ônibus parecia que estava perdendo o freio, fazia uns barulhos, e pulava.”
Passageira diz que decidiu não dormir
Durante a descida da serra, Maria Luiza conta que chamou a irmã, Priscila, para comentar os ruídos que ouvia. Segundo o relato, ela ficou apreensiva e decidiu permanecer desperta.
“Priscila, você está escutando isso?’ Ela me mandou dormir, disse que eu estava falando demais. Aí eu falei: “Eu não vou dormir, porque eu estou pressentindo alguma coisa”. Peguei meu bebê e comecei a orar.”
A sobrevivente afirma que, naquele momento, percebeu que o ônibus continuava acelerando e observou pela janela movimentos que lhe causaram ainda mais preocupação.
“Na descida da serra, ele seguiu acelerando, acelerando. Pela janela vi que o ônibus fazia um zigue-zague, tombava para um lado, para o outro, cheguei a achar que estava tirando faísca da pista. Em uma guinada para a direita, o ônibus quicou, o motorista perdeu o controle e a gente caiu.”
Relato descreve desespero após tombamento
Depois da queda do veículo, Maria Luiza relata uma sequência de momentos de pânico entre os passageiros. Ela estava com seus filhos e, inicialmente, chegou a acreditar que sua filha mais nova havia morrido.
“Foi um desespero. Todo mundo gritando. Eu achei que a minha bebezinha estava morta, mas ela tinha perdido o fôlego.”
Em meio à confusão, Maria Luiza passou a procurar por Lavínia. Segundo seu relato, pouco antes do acidente a menina havia demonstrado medo e pedido ajuda à mãe.
“Meu filho me chamando e eu gritando pela minha filha: ‘Lavínia, Lavínia’. Antes do acidente, ela tinha gritado: ‘Mãe, me ajuda, eu estou com medo.’ Eu falei: ‘Abraça sua tia, não tem como te pegar não, Lavínia.’ Por isso elas morreram abraçadas.”
A fala revela um dos momentos mais dolorosos do depoimento. Lavínia estava junto da tia quando ocorreu o acidente, segundo Maria Luiza.
Mãe procurou filha durante o resgate
Durante o trabalho das equipes de socorro, Maria Luiza ainda não sabia que a filha havia morrido. Ela conta que descreveu a aparência da menina a um bombeiro na tentativa de descobrir onde Lavínia estava.
“No resgate, eu perguntava o tempo todo pela minha filha. Disse para um bombeiro como ela estava: de coque, blusa amarela, calça azul cheia de florzinha. Ele disse que tinham corrido com ela para o hospital.”
Somente horas depois, na manhã de domingo, Maria Luiza recebeu a notícia da morte da filha. Em seu relato, ela atribui o ocorrido à conduta do motorista e afirma que os passageiros haviam pedido repetidamente para que ele reduzisse a velocidade.
“No domingo, por volta das 9h, descobri que perdi minha filha por negligência do motorista, a quem nós pedimos tanto pra não correr. Perdi minha filha, perdi minha irmã, perdi mais duas amigas.”
A afirmação sobre negligência corresponde ao relato de Maria Luiza e não a uma conclusão apresentada no material fornecido sobre as causas oficiais do acidente.
Viagem levaria Lavínia à praia pela primeira vez
O passeio tinha significado especial para a família. Maria Luiza conta que havia levado Lavínia para conhecer a praia pela primeira vez.
Segundo a sobrevivente, ela própria tinha receio de fazer a viagem, mas decidiu participar depois da insistência da irmã. Cada pessoa pagou R$ 200 pelo passeio.
“E eu tinha levado minha menina para ver a praia pela primeira vez. Não queria ir, morro de medo, mas minha irmã insistiu. Pagamos R$ 200 por pessoa.”
Além de Lavínia, Maria Luiza viajava com os filhos Ícaro, de 10 anos, Maia, de 4, e Maitê, de 1 ano.
“Lavínia tinha 7 anos, o Ícaro tem 10, a Maia, 4, e a Maitê, 1 aninho. A Maitê recebeu alta no domingo, junto com o Ícaro, mas a Maia ainda ficou internada, com a cara muito inchada”.
Relato reúne perdas e sobrevivência
O depoimento de Maria Luiza expõe a dimensão pessoal da tragédia ocorrida na BR-040. Em poucas horas, uma viagem planejada para proporcionar à filha a primeira visita à praia terminou com a morte de Lavínia, de sua irmã e de outras pessoas que viajavam no ônibus.
Ao mesmo tempo em que enfrenta as perdas, Maria Luiza acompanha a recuperação dos filhos que sobreviveram. Maitê e Ícaro receberam alta ainda no domingo, enquanto Maia permaneceu internada após o acidente.
O relato da mineira também registra os momentos de apreensão que antecederam o tombamento, o caos durante o resgate e a busca por Lavínia antes da confirmação da morte da menina, compondo o testemunho de uma das sobreviventes do acidente que deixou dez mortos em Petrópolis.
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