Uma espécie de “impressão digital química” pode indicar de onde veio uma tainha mesmo depois que o peixe chega ao mercado. Um estudo publicado na revista Fishes identificou 23 metabólitos no músculo da tainha brasileira (Mugil liza) e mostrou que a concentração dessas moléculas varia conforme a origem geográfica do pescado.
Para chegar a esse resultado, os pesquisadores uniram duas ferramentas: a espectroscopia por ressonância magnética nuclear de hidrogênio e a metabolômica, área que investiga os metabólitos gerados pelas reações químicas do organismo.
A partir da localização dos átomos de hidrogênio nas amostras, foi possível reconhecer 23 compostos presentes no músculo do peixe, como lactato, creatina e taurina. Esses marcadores revelam informações sobre metabolismo, atividade muscular e adaptação ambiental.
Técnica de identificação da origem da tainha
Locais de coleta
- Lagoa de Araruama, Rio de Janeiro
- Baía de Sepetiba, Rio de Janeiro
- Litoral de Santa Catarina
Análise das amostras
- Tecido analisado: músculo dorsal da tainha
- Técnica: espectroscopia de ressonância magnética nuclear de hidrogênio (¹H-RMN)
- Objetivo: identificar diferenças na composição química conforme a origem do peixe
Metabólitos que diferenciaram os grupos
- Lactato
- Histidina
- Treonina
- Fenilalanina
- Ornitina
Fatores com menor influência
- Tamanho dos peixes
- Estação do ano
- Essas variáveis tiveram menor impacto no perfil químico, favorecendo o uso dos metabólitos como indicadores de procedência.
Aplicações práticas
A técnica pode ajudar a verificar se um pescado realmente pertence à região indicada no momento da comercialização. Entre as possíveis aplicações estão:
- identificação da procedência;
- combate a fraudes comerciais;
- aumento da rastreabilidade;
- valorização de pescados associados a uma determinada região;
- apoio a processos de Indicação Geográfica.
O interesse é especialmente relevante para a tainha da Lagoa de Araruama. Em 31 de março de 2026, foi depositado no INPI o pedido de registro da Indicação Geográfica “Lagoa de Araruama”, na modalidade Denominação de Origem, para a tainha.
A pesquisa ainda precisa ser ampliada e validada em diferentes condições antes de se tornar uma ferramenta rotineira de fiscalização e certificação.
