04 de agosto de 2026

MANAUS (AM) – A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) de Manaus identificou dez fissuras e rachaduras no dique de contenção da Videolar-Innova S.A. e confirmou que o líquido que vazou da estrutura apresentava concentração de 39,09 mg/L de estireno, volume 558 vezes superior ao limite estabelecido pela legislação ambiental. As descobertas constam em processo administrativo aberto após o acidente ocorrido em 15 de julho, na Unidade IV da empresa, localizada no Distrito Industrial da capital.

A fiscalização concluiu que o sistema de contenção, que deveria impedir a dispersão de produtos químicos em situações emergenciais, perdeu sua capacidade de isolamento e permitiu que água contaminada com estireno atingisse o solo e a rede de drenagem pluvial da indústria. O laudo técnico também apontou risco “potencialmente relevante” de que o contaminante tenha alcançado o aquífero local por infiltração no subsolo.

Fiscalização encontrou dez fissuras no dique de contenção da Innova após acidente com estireno (Reprodução/Semmas)

O caso ocorre após a REVISTA CENARIUM revelar que a operação da Innova era classificada nos documentos ambientais como atividade de grande potencial poluidor. Agora, a documentação da Semmas mostra que o risco associado ao armazenamento de estireno resultou em um acidente com impacto ambiental confirmado e levou à interdição da unidade.

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Segundo os relatórios reunidos no processo, o episódio começou no Tanque T-1510A, utilizado para armazenamento de monômero de estireno. O produto sofreu uma reação exotérmica, processo químico que gera calor internamente, elevando a temperatura e a pressão do reservatório e provocando a abertura das válvulas de segurança.

A liberação de vapores químicos foi percebida por moradores das zonas Sul e Centro-Sul de Manaus. Durante a tentativa de resfriamento emergencial do tanque, realizada com canhões de água, a falha na estrutura de contenção permitiu que o líquido contaminado ultrapassasse a área que deveria funcionar como barreira de proteção.

Acidente com tanque de estireno provocou investigação sobre falhas estruturais na operação industrial da Innova (Reprodução/Semmas)
Sistema de drenagem

A análise identificou a presença de 39,09 mg/L de estireno em uma amostra coletada em uma das fissuras do dique. O valor supera o limite de 0,07 mg/L previsto pela Resolução Conama 430/2011 para lançamento de efluentes.

De acordo com os documentos técnicos, o contaminante alcançou a rede de drenagem pluvial da unidade, com possibilidade de deslocamento para a bacia do Igarapé do 40 e, posteriormente, para o Rio Negro. A Semmas determinou a adoção de medidas de monitoramento para avaliar possíveis impactos ambientais.

Além das fissuras no dique do tanque de estireno, a fiscalização registrou vazamento na contenção do tanque de óleo mineral T-1011B. O relatório aponta a possibilidade de comunicação hidráulica entre diferentes sistemas de contenção da planta industrial.

Durante a vistoria, os fiscais encontraram tentativas emergenciais de vedação das rachaduras com manta asfáltica adesiva e resinas não identificadas. Os técnicos consideraram as medidas provisórias e insuficientes para garantir a recuperação da estanqueidade da estrutura.

Diante das irregularidades, a Semmas determinou a paralisação total das atividades produtivas da Unidade IV da Videolar-Innova S.A. A retomada da operação depende da comprovação de que as causas do acidente foram eliminadas e que as estruturas afetadas foram recuperadas.

As infrações foram classificadas como gravíssimas, considerando os danos ambientais identificados e a localização da unidade em área urbana. As multas aplicadas no processo administrativo somam 65 mil UFMs (Unidades Fiscais do Município).

Semmas identificou risco potencial de contaminação subterrânea após vazamento registrado na Unidade IV da Innova (Reprodução/Semmas)
Protocolos da empresa

A investigação administrativa também relacionou o acidente a documentos anteriores sobre a operação da Innova. A Recomendação Complementar 10/2026 do Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) já havia apontado uma situação emergencial e a necessidade de adoção de protocolos de controle, resfriamento e interrupção operacional.

O processo cita ainda a Licença de Operação 024/02-15, que classifica a atividade como de grande potencial poluidor, e informações apresentadas pela própria empresa no Relatório de Sustentabilidade 2025, que mencionava medidas de segurança operacional, gestão de continuidade de negócios e certificação ISO 45001.

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By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART