As curvas de risco de uma planta — os raios de dano de BLEVE, VCE, dispersão tóxica e incêndio — são a forma mais direta de enxergar o perigo. Quando sobrepostas em um mapa geográfico real, cada efeito físico ganha uma cor e uma dimensão que a tabela nunca transmite. Este estudo mostra como o Kernel H3X plota essas curvas coloridas no mapa, efeito por efeito.

Navegue pelo estudo

1. O mapa das curvas · 2. BLEVE (vermelho) · 3. VCE (roxo) · 4. Dispersão tóxica (laranja) · 5. Incêndio de poça (âmbar) · 6. Leitura integrada · 7. Aplicação · 8. FAQ

1. O mapa das curvas de risco (interativo)

Clique em qualquer zona do mapa para ver o raio, a radiação, a sobrepressão ou o limiar de concentração. Cada cor representa um fenômeno físico:

Cenário-exemplo: 12.000 kg de etileno (BLEVE + VCE) + vazamento de H₂S 50 kg/s (dispersão tóxica). Visualização MapLibre GL/OpenStreetMap. Kernel H3X.

2. BLEVE — fireball e radiação térmica (vermelho/laranja)

Para a massa de 12.000 kg de etileno, o modelo TNO calcula um fireball de ~69 m de raio. Mas o risco térmico não para na bola de fogo: a radiação se estende por centenas de metros.

ZonaRaioEfeito
Fireball (vermelho escuro)69 mExposição direta letal
Radiação fatal (35 kW/m²)~358 mFatal em segundos
Dor imediata (12.5 kW/m²)~400 mDor intensa, queimaduras
Queimadura (5 kW/m²)~400 mQueimadura em ~30s

No mapa, o fireball aparece em vermelho escuro e as zonas de radiação em laranja/amarelo — mostrando que o raio térmico é ~6x o raio da bola de fogo.

3. VCE — sobrepressão (roxo)

Na explosão de nuvem de vapor, o critério de dano é a sobrepressão (TNO Multi-Energy). Para 12.000 kg de etileno:

ZonaSobrepressãoRaioEfeito
Dano grave (roxo escuro)0.5 bar52 mDestruição de estruturas
Dano moderado (roxo médio)0.3 bar89 mDanos severos a edifícios
Dano leve (roxo claro)0.1 bar171 mJanelas quebradas, danos leves

Os círculos roxos mostram que o dano estrutural da VCE é mais concentrado que o térmico do BLEVE — mas ainda atinge ~171 m com danos leves.

4. Dispersão tóxica — H₂S (laranja/amarelo)

O vazamento de H₂S (50 kg/s, vento 2 m/s) gera uma pluma tóxica que se espalha a favor do vento. As zonas no mapa acompanham a forma da pluma (mais larga e longa que os círculos):

ZonaConcentraçãoExtensãoEfeito
VZR (vermelho)300 ppm~75 mRisco à vida imediato
IDLH (laranja)100 ppm~135 mPerigoso à vida/saúde
Teto (amarelo)20 ppm~330 mLimite de exposição aguda

Diferente dos círculos do BLEVE/VCE, a pluma tóxica tem direção (vento) e forma alongada — o que muda completamente o raciocínio de layout e plano de emergência.

5. Incêndio de poça (âmbar)

O pool fire (incêndio de poça de combustível derramado) aparece como um círculo âmbar de ~45 m — a zona onde o líquido em chamas irradia calor diretamente. Menor que o BLEVE, mas persistente.

6. Leitura integrada das curvas

O que o mapa completo revela de uma vez:

  • BLEVE (vermelho) domina o risco térmico — raio ~400 m
  • VCE (roxo) domina o risco estrutural — raio ~170 m
  • Dispersão H₂S (laranja) domina o risco toxicológico — até ~330 m a favor do vento
  • Incêndio de poça (âmbar) é o mais localizado, mas persistente

A sobreposição mostra que o raio máximo combinado (~400 m) define a zona crítica de planejamento — onde não devem existir áreas ocupadas, e onde o plano de emergência precisa atuar.

7. Aplicação prática

Essas curvas, georreferenciadas sobre o mapa real da planta, respondem perguntas que mudam o PSM:

  1. Layout seguro: onde colocar prédios administrativos (fora do raio de 400 m)?
  2. Plano de emergência: quais rotas de fuga e pontos de encontro (contra o vento da pluma tóxica)?
  3. Distanciamento da vizinhança: a pluma de H₂S atinge o bairro ao lado? O PAE externo cobre essa zona?
  4. Seguro: barreiras que reduzem a frequência do cenário diminuem o prêmio — e a curva mostra onde elas importam.

MAPA DE CURVAS DE RISCO

Veja as curvas de risco da SUA planta sobre o mapa real

O Kernel H3X calcula e georreferencia os raios de BLEVE, VCE, dispersão tóxica e fogo — cada efeito com cor e legenda própria — sobre a sua planta. O resultado vira mapa interativo + relatório em R$.

8. Perguntas frequentes

Por que cada efeito tem cor diferente?

Porque cada fenômeno físico tem mecanismo de dano distinto: BLEVE é radiação térmica, VCE é sobrepressão, dispersão é concentração tóxica, incêndio é calor de chama. Cores separadas permitem ler cada risco isolado e a sobreposição deles.

Qual raio usar para o plano de emergência?

O plano deve cobrir o raio máximo combinado (no exemplo, ~400 m do BLEVE). Mas a dispersão tóxica exige atenção direcional (a favor do vento), então o PAE precisa de zonas direcionais, não só círculos.

Esses raios são baseados em quê?

Modelos reconhecidos: TNO (BLEVE fireball e radiação), TNO Multi-Energy (VCE), Pasquill-Gifford com correção de gás denso (dispersão). Frequências calibradas por dados reais (ARIA, Purple Book).

Isso substitui um estudo QRA completo?

Não — é a camada de análise de consequência do QRA. Um QRA completo adiciona frequência, risco individual (IRPA) e curvas F-N. O H3X entrega as duas camadas.

Curva de radiação térmica do BLEVE com a distância e limiares de letalidade (NFPA/SFPE)
Figura — Decaimento da radiação térmica do BLEVE: a zona letal (37.5 kW/m²) é a que define o raio de planejamento.
Curva de sobrepressão do VCE (TNO Multi-Energy) com a distância e limiares de dano
Figura — Sobrepressão do VCE: o dano grave (0.5 bar) define o raio crítico de evacuação.
Comparação normalizada dos efeitos físicos BLEVE, VCE e dispersão tóxica
Figura — Na comparação normalizada, a dispersão tóxica tende a atingir mais longe que BLEVE e VCE.

Conclusão

Plotar as curvas de risco coloridas por efeito físico no mapa real transforma a análise de consequência em uma ferramenta visual de decisão. Cada cor conta uma história (térmica, estrutural, toxicológica, de incêndio) — e a sobreposição revela a foto completa do risco da planta em R$ e em metros.