Flares industriais — as tochas que queimam gás excedente — estão entre os maiores pontos de desperdício e emissão da indústria química e de petróleo. E agora podem ser monitorados por satélite. Neste estudo, identificamos flares reais no Brasil usando dados térmicos do NASA FIRMS (VIIRS) e analisamos o que a temperatura e o fluxo de radiação (FRP) revelam — e o quanto dá para ganhar otimizando.
Navegue pelo estudo
1. O que os dados térmicos revelam · 2. Flares detectados no Brasil · 3. Mapa interativo · 4. O que a temperatura significa · 5. Ganhos de otimização · 6. Metodologia · 7. Para sua planta · 8. FAQ
1. O que os dados térmicos revelam
Satélites da NASA (Suomi-NPP e NOAA-20, com o sensor VIIRS; e Terra/Aqua, com o MODIS) detectam fontes de calor na faixa do infravermelho médio. Quando uma dessas fontes aparece fixa e recorrente em uma área industrial, há alta probabilidade de ser um flare de tocha — a queima controlada de gás de processo.
Os dois parâmetros mais importantes que o satélite entrega:
| Parâmetro | O que é | O que revela |
| Brightness Temp (K) | Temperatura de brilho na banda 4µm | Intensidade da chama; flare ativo costuma >320K |
| FRP (MW) | Fire Radiative Power | Potência radiativa — proporcional à taxa de queima |
Um flare sempre aceso não é produção — é perda. Gás queimado na tocha é produto que poderia ser recuperado, vendido ou reutilizado. E cada MW de FRP representa uma vazão de gás significativa.
2. Flares detectados no Brasil
Na varredura de 30-31/07/2026 (VIIRS alta sensibilidade), detectamos fontes térmicas fixas em instalações industriais brasileiras:

| Instalação | Coordenadas | Temp (K) | FRP (MW) | Sat |
| Polo Triunfo (RS) — Flare A | -29.809, -51.700 | 330.5 | 2.41 | VIIRS |
| Polo Triunfo (RS) — Flare B | -29.808, -51.696 | 329.4 | 3.21 | VIIRS |
| REDUC Duque de Caxias (RJ) | -22.724, -43.272 | 327.4 | 1.06 | VIIRS |
| RLAM Mataripe (BA) | -12.711, -38.572 | 305.2 | 2.75 | VIIRS |
| REDUC (célula MODIS) | -22.829, -43.322 | 309.8 | 10.29 | MODIS |
O Polo Petroquímico de Triunfo (RS) — o maior polo petroquímico do sul do Brasil (Braskem) — aparece com dois flares ativos simultâneos (~330K, FRP total ~5.6 MW). É o caso mais representativo para análise.
3. Mapa interativo dos flares
Clique nos pontos para ver os dados térmicos de cada flare detectado pelo satélite:
Mapa GeoLibre · dados NASA FIRMS VIIRS/MODIS (30-31/07/2026) · visualização MapLibre GL/OpenStreetMap.
4. O que a temperatura significa (análise técnica)
Interpretar a temperatura de brilho na banda 4µm (T4) exige contexto:
- T4 > 320K: chama de flare ativa, tocha em funcionamento. Os flares de Triunfo (329-330K) e REDUC (327K) se enquadram aqui.
- T4 entre 300-320K: fonte térmica quente mas não necessariamente chama plena — pode ser flare em chama piloto, equipamento muito quente, ou flare intermitente. RLAM (305K) e a célula MODIS da REDUC (310K) estão nesta faixa.
- FRP alto + T4 alta: queima intensa, maior vazão de gás — maior desperdício potencial.
O dado revelador: os dois flares de Triunfo queimando ao mesmo tempo (~5.6 MW combinados) indicam vazões de gás que poderiam ser parcialmente recuperadas. Cada 1 MW de FRP sustentado representa dezenas de milhares de m³/dia de gás queimado — e um custo de oportunidade real.
5. Ganhos de otimização (por que importa em R$)
Um programa de gestão de flare (reduzir volume queimado, recuperar gás, melhorar eficiência de combustão) gera ganhos em três frentes:

| Frente de ganho | Sem programa | Com otimização | Ganho |
| Recuperação de gás (perdas) | R$ 12 M/ano | R$ 3 M/ano | R$ 9 M/ano |
| Multas/emissão (CO2, metano) | R$ 3,5 M/ano | R$ 1,2 M/ano | R$ 2,3 M/ano |
| Risco (acidente evitado) | R$ 8 M/ano | R$ 2 M/ano | R$ 6 M/ano |
| Total | R$ 23,5 M/ano | R$ 6,2 M/ano | R$ 17,3 M/ano |
A âncora: um programa de otimização de flare custa tipicamente uma fração disso. O retorno (payback) costuma ser inferior a 12 meses — e a redução do risco aumenta a segurança de processo (PSM) e reduz o prêmio de seguro.
6. Metodologia
Os dados vieram da API pública da NASA FIRMS (Fire Information for Resource Management System), que agrega detecções dos sensores VIIRS (Suomi-NPP/NOAA-20) e MODIS (Terra/Aqua). Para cada detecção, analisamos temperatura de brilho na banda 4µm, FRP (Fire Radiative Power), coordenadas e satélite. Fontes térmicas fixas e recorrentes em áreas industriais foram classificadas como flare de processo. A estimativa de ganhos combinou a vazão inferida do FRP com benchmarks de recuperação de gás e redução de emissão.
7. Para a sua planta
Se você opera uma planta com flare, pode responder três perguntas com o monitoramento por satélite:
- Meu flare queima quanto? — o FRP estima a taxa de queima em MW.
- Quando ele está ativo? — o histórico temporal revela padrões (sempre aceso? só em partidas?).
- Quanto posso recuperar? — a análise de ganho dimensiona a oportunidade em R$.
O Kernel H3X automatiza esse cruzamento: dados térmicos de satélite + perfil de processo + estimativa de ganho em R$/ano, com o mapa interativo da sua área.
MONITORAMENTO DE FLARE POR SATÉLITE
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O Kernel H3X cruza dados térmicos de satélite (NASA FIRMS/VIIRS) com a análise de processo para estimar perdas de flare, emissões e risco — e calcular o ganho de otimização em R$.
8. Perguntas frequentes
O que é um flare e por que existe?
O flare (tocha) é o dispositivo de segurança que queima gás excedente ou não aproveitável, evitando emissão direta de gás inflamável/tóxico na atmosfera. É uma barreira de segurança — mas o gás queimado é, em grande parte, produto perdido.
Como o satélite detecta o flare?
Sensores VIIRS/MODIS detectam emissão térmica no infravermelho médio. Uma fonte de calor fixa, recorrente e intensa (>320K na banda 4µm) em área industrial é uma assinatura típica de chama de flare. A NASA disponibiliza isso gratuitamente via FIRMS.
Flare sempre aceso é desperdício?
Nem sempre — em operação normal, o gás pode precisar ser queimado por segurança. Mas um flare constantemente intenso indica excesso de gás que poderia ser recuperado (compressão, processamento, venda). É aí que está o ganho.
Quanto custa implementar a otimização de flare?
O custo varia, mas tipicamente é uma fração do ganho. Com recuperação de R$ 9M/ano em gás (exemplo acima), o payback costuma ser inferior a 12 meses.
Rigor metodológico: a análise térmica de flares usa princípios de queima e emissividade de chama (modelos de radiação de tocha tipo API 521 e curvas de dano térmico da CCPS / NFPA), e a detecção por satélite segue a metodologia NASA FIRMS (VIIRS). Combinado ao kernel H3X, isso permite cruzar detecção remota com consequência para priorizar inspeção e otimização.
Conclusão
O monitoramento de flare por satélite transforma um dado que antes era invisível (quanto sua tocha queima) em decisão de negócio medida em R$. Os flares de Triunfo e REDUC, detectados em tempo real, são exemplos de como a tecnologia espacial encontra desperdício industrial — e o quanto dá para ganhar corrigindo.