O Governo libanês expressa sua preocupação com o possível deterioro do castelo de Beaufort, patrimônio reconhecido pela UNESCO, que Israel utiliza no sul do país e que poderia ter sido afetado pelas detonações realizadas pelo Exército israelense durante a noite passada para destruir, segundo os militares, uma rede de túneis subterrâneos empregados pelas milícias do Hezbolá.
O centro de geofísica do Conselho Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) do Líbano apontou que as explosões, nas quais Israel utilizou 700 toneladas de explosivos, geraram “ondas sísmicas cuja potência pode ser comparada a um tremor de magnitude 3,8 na escala de Richter”.
A agência de notícias oficial NNA informou que uma área de 1.200 metros, desde o extremo meridional da fortaleza até Yohmor el Chqif, “ficou completamente desfigurada” pelo impacto das detonações.
O Ministério da Cultura sustenta que “as ondas expansivas causadas pelas explosões poderiam ter provocado danos nas imediações do castelo”, embora admita que, por enquanto, não é possível confirmar essa suspeita no terreno.
Segundo o próprio Ministério, “a magnitude desses danos só poderá ser determinada por meio de uma inspeção direta no terreno” mas “a zona está ocupada, o que impede a presença de equipes técnicas especializadas e a realização da inspeção necessária” para avaliar a extensão real dos possíveis danos.
A UNESCO incluiu este enclave como local protegido em 2024, junto com outros quatro castelos do monte Amel. A fortaleza, situada junto ao rio Litani e conhecida também como Qalat al Shaqif, foi um dos pontos neurálgicos da guerra do Líbano de 1982, cenário de intensos combates entre o Exército de Israel e a Organização para a Libertação da Palestina.
Esses confrontos concluíram com a vitória das forças israelenses, que se estabeleceram na posição e a mantiveram até o ano 2000. Israel retornou novamente ao enclave no dia 31 de maio, no âmbito da consolidação da invasão do sul do Líbano iniciada em março.
