Assisti recentemente a duas ótimas minisséries sobre o mesmo tema. A brasileira Emergência Radioativa narra o drama vivido na cidade de Goiânia em 1987. E a estadunidense Chernobyl, sobre o ocorrido em uma usina nuclear da União Soviética, em 1986.

Quase 40 anos após essas tragédias, uma pergunta óbvia vem à cabeça: há riscos de episódios semelhantes voltarem a ocorrer?

No caso de Goiânia, tudo aconteceu porque um hospital desativado não deu destino correto ao material radiológico de uma de suas máquinas, que ficou abandonada nos escombros da instituição. Dois homens que trabalhavam com coleta de lixo recolheram a cápsula com Césio-137 e a venderam a um ferro-velho. Algo semelhante voltar a ocorrer no Brasil atualmente não é impossível, mas é bem menos provável. Hoje, a fiscalização e o rastreio de equipamentos contendo material radioativo é bem mais rigorosa.

Além disso, os equipamentos atuais são mais seguros do que os daquela época. Em Goiânia, o Césio-137 estava presente na forma de um pó fino de fácil dispersão. Isso ampliou muito os danos causados, uma vez que o pó se espalhava nos corpos, objetos e no ambiente. Hoje, equipamentos com essa tecnologia são mais raros e fiscalizados, o que traz maior segurança.

Já em relação às nossas usinas nucleares, Angra 1 e 2, elas possuem uma tecnologia diferente da usada em Chernobyl. Portanto, apesar de haver risco, a chance de um acidente semelhante é praticamente nula.

Em 2021, inclusive, foi criada no Brasil a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear, órgão responsável exclusivamente pela fiscalização e controle dos materiais radioativos no país. Até então, tal atribuição era da Comissão Nacional de Energia Nuclear.

É importante que séries como essas sejam assistidas e debatidas em nossas escolas, para que nossa população conheça esses tristes eventos de nossa história e possa cobrar dos órgãos responsáveis a segurança necessária.

Um abraço e até a próxima!

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART