Embora ainda não seja tão conhecida entre os consumidores, a agenda ESG – sigla que representa ambiental, social e governança – tomou conta do discurso das empresas. O E, de ambiental (do inglês environmental), tornou-se um dos pilares mais associados às práticas. No entanto, ainda há uma grande distância entre o discurso e a ação. Muitas organizações praticam o chamado greenwashing – uma jogada de marketing que promove uma falsa imagem de responsabilidade ambiental, mascarando impactos negativos ou a ausência de ações sustentáveis reais por meio de apelos ecológicos, embalagens verdes e termos vagos. Tudo isso com o objetivo de atrair clientes simpatizantes à causa.
Muitas empresas querem avançar, mas não sabem por onde começar. O tema envolve legislação, operação, indicadores e uma cadeia de fornecedores que nem sempre é fácil de identificar ou validar. Soma-se a isso o excesso de informações desencontradas, que acaba tornando a implementação mais complexa do que realmente precisa ser.
Além disso, algumas empresas buscam um retorno de marketing das suas ações e posicionamento, mas não preveem os investimentos e o trabalho necessário para alcançar a transição para a gestão sustentável do negócio. A agenda ESG, assim como qualquer outra área, demanda investimento e planejamento para gerar resultados.
Para identificar e diferenciar uma empresa que realmente adota iniciativas de ESG de outra que apenas utiliza o tema como estratégia de comunicação, é preciso se atentar à coerência entre discurso e prática: empresas que realmente incorporaram o ESG fazem com que esse compromisso esteja presente nas decisões do dia a dia, desde a estratégia até a operação. Não se trata de uma ação isolada ou de uma campanha de marketing, mas de uma cultura organizacional.
No caso da gestão de resíduos, por exemplo, existem sinais muito claros. O básico precisa estar bem feito: lixeiras seletivas identificadas, separação correta dos materiais, parceiros que dão a destinação adequada aos resíduos (como compostagem e reciclagem), colaboradores treinados e processos definidos.
A priorização de embalagens mais sustentáveis – como copos compostáveis, mexedores de café de madeira, ou xícaras e talheres reutilizáveis –, mesmo que um pouco mais caras do que uma embalagem plástica descartável, também mostra uma decisão estratégica, que ultrapassa a meta simples de redução de custos de um setor de compra. A comparação não pode ser feita somente com base no preço; ela precisa ser embasada no valor agregado à sociedade e ao meio ambiente – e essa decisão vem da gestão e da estratégia.
Ao olhar a comunicação de uma ação realizada pela empresa, busque observar os resultados reais: a porcentagem de material reciclado das suas embalagens, o potencial de reciclá-las e ações concretas com as comunidades – e não somente um resultado pontual que está sendo alvo de marketing.
Incorporar, de fato, práticas ESG nas empresas traz benefícios reais, que vão muito além da construção de uma imagem positiva. Cada vez mais, grandes empresas, investidores e instituições financeiras exigem que seus fornecedores demonstrem compromisso com critérios ambientais, sociais e de governança. Em muitos setores, esse já é um requisito para fazer negócios. Além de abrir novas oportunidades comerciais, o ESG contribui para diminuir custos e aumentar a eficiência operacional, por meio da redução de desperdícios, do melhor uso de recursos e da diminuição de riscos ambientais, regulatórios e reputacionais.
Os benefícios também aparecem dentro da empresa. Colaboradores que enxergam propósito no trabalho tendem a ser mais engajados, produtivos e comprometidos, fortalecendo o clima organizacional e a retenção de talentos.
Além disso, um dos aspectos mais óbvios e importantes é a possibilidade de contribuição para a tentativa de frear o avanço do aquecimento global e das mudanças climáticas. O planeta tem mostrado que as ações atuais são insustentáveis. O compromisso coletivo deve ser buscar um modo de vida mais sustentável, com o objetivo de construir um futuro melhor para as gerações atual e futuras. Cabe a cada um a consciência de estar realmente fazendo a sua parte – ou não.
Superar o cenário de discursos vazios de ações exige simplificar o processo. Buscar profissionais especializados pode significar a diferença entre apostar em ações concretas e iniciativas certeiras e desperdiçar recursos em tentativas frustradas. Contar com esse tipo de expertise permite conectar empresas a soluções confiáveis, estruturar a gestão de resíduos de ponta a ponta, gerar indicadores de impacto e transformar a sustentabilidade em uma prática viável, mensurável e alinhada aos objetivos do negócio.
No fim, empresas que integram o ESG à sua estratégia tornam-se mais competitivas, preparadas para as mudanças do mercado e capazes de gerar valor de forma sustentável a longo prazo.
Amália Koefender Leite, engenheira ambiental, mestre em Engenharia de Produção no tema de Economia Circular e Gestão de Resíduos Sólidos pela UFRGS e sócia da startup ARCO — Ações para Reciclagem e Compostagem, empresa de gestão circular de resíduos.
