O documentário “O Caso do Voo 099” estreia nesta semana e resgata a história da maior tragédia aérea do Rio Grande do Sul, que matou 51 pessoas em Sapucaia do Sul em 1950.

Documentário revive tragédia que marcou o Rio Grande do Sul

Mais de sete décadas depois, uma das páginas mais trágicas da aviação brasileira volta ao centro do debate histórico. O longa documental O Caso do Voo 099 reconstrói os últimos minutos do voo da aeronave Lockheed Constellation PP-PCG, da extinta Panair do Brasil.

O acidente aconteceu em 28 de julho de 1950, quando o avião colidiu contra o Morro das Cabras, em Sapucaia do Sul, durante tentativa de pouso no então aeródromo de Gravataí — atual Base Aérea de Canoas.

Como surgiu o documentário

Voo 099: filme revela detalhes de desastre que matou 51 no RS 10
Casa Rosa Filmes/Divulgação

A produção é assinada pela Casa Rosa Filmes, com direção da cineasta Jo Nobre, e nasceu a partir de uma pesquisa acadêmica do curso de História da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Polo UAB Sapucaia do Sul.

O trabalho envolveu levantamento de arquivos históricos, entrevistas com familiares das vítimas e moradores que preservaram a memória da tragédia ao longo de décadas.

Quando será o lançamento

A estreia oficial ocorre em 25 de junho, em Sapucaia do Sul, em sessão exclusiva para convidados, imprensa e apoiadores.

Já no dia 2 de julho, o público poderá assistir gratuitamente à obra no Cine Cinco, na PUCRS, em Porto Alegre, às 19h15. A entrada será por ordem de chegada, limitada a 200 lugares.

O que aconteceu no voo de 1950

O Lockheed Constellation fazia a rota entre o Rio de Janeiro e Porto Alegre em apenas 3 horas, sem escalas — um avanço tecnológico para a época.

Naquele 28 de julho, a decolagem no Aeroporto do Galeão sofreu atraso e só ocorreu às 15h30.

Os últimos contatos da aeronave

Às 18h15, já próximo da capital gaúcha, a tripulação pediu autorização para descida. Chovia forte na região de Porto Alegre e Canoas.

Às 18h58, o comandante informou que tinha referências visuais do terreno, mas não conseguia contato com a torre de Canoas.

A investigação revelou que a torre estava em pane por falha em microfone e pré-amplificador.

Falhas técnicas e baixa visibilidade

Às 19h09, os pilotos relataram não enxergar as luzes da pista. Mesmo com a confirmação de que estavam acesas, a visibilidade seguia crítica.

Às 19h15, o comandante iniciou nova tentativa de pouso, mas encontrou bruma e nevoeiro fraco ao acionar os faróis da aeronave.

Duas aproximações foram abortadas.

O impacto contra o Morro das Cabras

Às 19h20, o Constellation comunicou que não conseguiria pousar. Recebeu ordem para manter altitude de 600 metros e aguardar.

Mas o início da subida foi tardio.

Por volta das 19h25, a aeronave colidiu contra o Morro das Cabras, em uma altitude aproximada de 240 metros.

Todos os 51 ocupantes morreram: sete tripulantes e 44 passageiros.

O que concluiu a investigação oficial

Causa direta

Segundo o Ministério da Aeronáutica, a causa principal foi um atraso no início da subida.

Fatores indiretos

O relatório também apontou problemas operacionais que contribuíram para o desastre:

  • Pane na torre de Canoas
  • Falha no sistema de comunicação
  • Deficiências no balizamento noturno da pista
  • Condições meteorológicas adversas
  • Baixa visibilidade por bruma

Outra tragédia viria dois dias depois

O impacto emocional no Rio Grande do Sul foi ampliado porque, apenas dois dias depois, o Estado enfrentaria outro desastre aéreo: a morte de Joaquim Pedro Salgado Filho, ex-ministro da Aeronáutica, que hoje dá nome ao Aeroporto Internacional de Porto Alegre.

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Direto ao ponto

  • Documentário estreia em 25 de junho em Sapucaia do Sul
  • Exibição gratuita ao público será em 2 de julho na PUCRS
  • Tragédia ocorreu em 28 de julho de 1950
  • Acidente matou 51 pessoas e foi o maior do Brasil até então
  • Investigação apontou falha humana e problemas operacionais

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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