
Após sete anos sem registrar casos semelhantes, o Centro de Recuperação de Animais Marinhos (CRAM), em Rio Grande, voltou a receber pinguins contaminados por óleo. Ao longo da última semana, 18 aves foram resgatadas em diferentes pontos do litoral gaúcho e encaminhadas para atendimento no local.
Os animais foram encontrados debilitados, com sinais de hipotermia, desidratação e anemia, além de apresentarem grande quantidade de óleo aderida às penas.
Vinculado ao Museu Oceanográfico da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), o CRAM é responsável pelo resgate, atendimento e reabilitação da fauna marinha encontrada em situação de risco no litoral sul do Estado. Atualmente, a estrutura abriga 35 animais, entre pinguins, lobos-marinhos, leão-marinho, tartarugas e aves oceânicas.
Segundo a coordenadora técnica do CRAM, Paula Canabarro, os pinguins chegaram após serem encontrados encalhados em praias da região.
— Esses animais foram encontrados encalhados na praia. Estavam hipotérmicos, anêmicos e desidratados. Eles passam por um processo de estabilização para recompor sua condição de saúde e poder passar pelo processo de despetrolização — explica.
Processo de recuperação
Antes da remoção do óleo, as aves passam por uma etapa de recuperação clínica para que estejam aptas a suportar o tratamento.
Somente após a estabilização são submetidas ao processo de despetrolização, que envolve lavagem, remoção do óleo, enxágue e secagem das penas.
Além dos 18 animais contaminados, o centro também mantém outros cinco pinguins em recuperação por diferentes causas.
A expectativa da equipe é que novas aves possam chegar nas próximas semanas.
Origem da contaminação é investigada
A origem da substância que atingiu os animais ainda não foi identificada. Amostras do óleo foram coletadas e serão analisadas para auxiliar na investigação.
O reaparecimento de pinguins contaminados também acendeu um alerta entre os pesquisadores. Segundo Paula, a espécie funciona como um importante indicador ambiental.
— Os pinguins são indicadores de que tem óleo no mar. Nós não sabemos a origem dessa mancha nem onde ela está localizada, mas existe a possibilidade de recebermos mais animais ao longo das próximas semanas — afirma.
Protocolos incluem quarentena por gripe aviária
Dos 35 animais atualmente atendidos pelo CRAM, nove permanecem em área de quarentena. A medida integra os protocolos adotados em razão da emergência zoossanitária relacionada à gripe aviária.
Somente após a realização de exames e a exclusão da suspeita da doença os animais são transferidos para os espaços de reabilitação.
O tempo de recuperação varia conforme a espécie e o estado de saúde de cada indivíduo, mas costuma durar cerca de um mês.
Antes da soltura, os animais precisam apresentar boa condição corporal, parâmetros sanguíneos adequados e comportamento compatível com a vida em ambiente natural.
Referência nacional
Criado em 1974, o Centro de Recuperação de Animais Marinhos se consolidou como uma das principais referências do país na reabilitação de fauna marinha.
O trabalho reúne pesquisadores, estudantes, voluntários e instituições parceiras.

Para o diretor do complexo de museus da Furg e idealizador do projeto, Lauro Barcellos, o retorno de casos de contaminação por óleo é motivo de preocupação.
— É lamentável que os animais comecem a aparecer novamente cobertos por óleo. Isso é uma agressão à natureza e uma agressão aos animais — afirma.
Enquanto a origem da contaminação segue sendo investigada, a equipe mantém o monitoramento do litoral gaúcho e trabalha com a possibilidade de novos resgates nos próximos dias.
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