Moradores do povoado Campestre, na zona rural de Teresina, estão preocupados com o aparecimento de caramujos-gigantes-africanos na região. A presença da espécie tem chamado a atenção dos moradores devido aos riscos de contaminação e à rápida proliferação do molusco em ambientes úmidos.
Introduzido no Brasil há mais de 40 anos, o caramujo-gigante-africano (Achatina fulica) é considerado uma espécie invasora. O animal costuma ser encontrado em locais quentes e úmidos, principalmente em áreas com vegetação densa, hortas, jardins, terrenos baldios e locais com acúmulo de lixo e matéria orgânica.
O molusco pode hospedar vermes parasitas capazes de transmitir doenças como meningite eosinofílica e angiostrongilíase abdominal. A contaminação pode ocorrer por meio do contato com o muco deixado pelo animal ou pelo consumo do molusco cru ou mal cozido. Apesar disso, especialistas afirmam que os casos de transmissão dessas doenças é pequeno.
O biólogo Bruno Pralon explicou que, mesmo com baixo risco de contaminação, a população deve adotar medidas preventivas.
“A gente tem que sempre prevenir. Há um risco de contaminação e esse caramujo acaba atuando como um vetor, sim. Então, a gente tem que sempre trabalhar com a prevenção, evitar o contato com esse molusco. Falando de dados reais, não há tantos casos, principalmente no Piauí, mas a gente tem que sempre tomar os devidos cuidados”, destacou.
Segundo o especialista, o manejo correto do animal é fundamental para evitar riscos à saúde. A orientação é realizar a coleta manual do molusco e fazer o descarte adequado para impedir a proliferação e possíveis contaminações.
“O que as pessoas devem fazer é a catação manual desse molusco, sempre protegendo as mãos com luvas de borracha ou luvas de látex. Nunca se deve encostar com a mão nua no animal. Depois, é preciso colocar o caramujo vivo em um balde com uma solução de água sanitária e água, sendo uma parte de água sanitária para três partes de água, e deixar os animais nessa solução por pelo menos 24 horas. Depois que o animal morrer, deve-se cavar uma vala de pelo menos um metro de profundidade, colocar cal virgem, depositar os animais e cobrir novamente com cal virgem para evitar a contaminação do solo”, explicou.
O biólogo também reforçou a importância da higienização correta dos alimentos, principalmente hortaliças e verduras cultivadas em áreas onde os moluscos são encontrados.
“Principalmente ingerindo esse muco, essa substância que o animal produz, pode haver micro-organismos capazes de causar doenças. Por isso, é importante lavar bem as mãos antes das refeições e higienizar corretamente os alimentos. Como eles aparecem em hortas, é necessário lavar com cloro. Não adianta higienizar apenas com vinagre ou somente com água”, finalizou.
