O Canadá vive uma mudança rara em sua política militar. Após décadas de dificuldades para atrair novos soldados, o país registrou o maior número de recrutas em 30 anos. O crescimento ocorre em meio a um cenário internacional mais instável, marcado por guerras e disputas geopolíticas, e indica uma tentativa de reverter a histórica fragilidade das Forças Armadas Canadenses.
O aumento no alistamento começou ainda em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, mas ganhou força recente com a escalada de tensões globais e declarações do ex-presidente Donald Trump, que chegou a sugerir o Canadá como um “51º estado” americano. A fala foi interpretada por muitos como provocação e reacendeu um sentimento nacionalista no país. Especialistas apontam que, em momentos de insegurança internacional, há tendência de crescimento no interesse por carreiras militares.
Além do fator geopolítico, questões econômicas também ajudam a explicar o movimento. O desemprego entre jovens, próximo de 14%, e a promessa de melhores salários nas forças armadas tornaram a carreira mais atrativa. O governo do primeiro ministro Mark Carney anunciou um pacote bilionário para defesa, elevando os gastos ao equivalente a 2% do PIB, meta da OTAN que não era atingida desde os anos 1980. O plano inclui modernização de equipamentos, construção de bases e expansão da presença militar no Ártico.
Apesar do avanço, analistas alertam que o Canadá ainda está atrás de aliados como Estados Unidos e Reino Unido em capacidade militar. A dependência histórica da proteção americana e anos de baixo investimento deixaram lacunas difíceis de corrigir rapidamente. Mesmo com mais recursos e novos recrutas, especialistas avaliam que o país pode levar até uma década para alcançar um nível de prontidão considerado adequado diante dos desafios atuais.
