*Artigo escrito por Rovena Mariano Cabral, Administradora, Coordenadora do Comitê ESG, Gestora da Divisão de Contratos e Documentos da CESAN e Líder do Comitê Qualificado de Conteúdo de ESG do Ibef-ES.
Produtividade costuma ser discutida dentro das empresas, associada a eficiência operacional ou inovação tecnológica.
Em setores de infraestrutura, porém, a lógica é diferente. A produtividade depende da capacidade de um território transformar grandes investimentos em serviços que reduzem custos econômicos, ampliam a competitividade e criam condições reais para novos negócios.
Infraestrutura funciona como a base operacional da economia. Quando um porto opera com eficiência, uma indústria exportadora reduz tempo e custo logístico.
Quando um sistema de saneamento atende novas áreas urbanas, ele viabiliza expansão imobiliária, instalação de indústrias e melhoria das condições de saúde pública. Quando redes logísticas se tornam mais eficientes, empresas conseguem produzir mais e com menor custo.
Esse debate se torna particularmente concreto quando se observa o momento atual do Espírito Santo.
Nos últimos anos, o estado passou a concentrar um volume relevante de investimentos em infraestrutura. No setor de saneamento, projetos estruturantes ampliam a cobertura de coleta e tratamento de esgoto e fortalecem a segurança hídrica em municípios estratégicos para a economia estadual.
Esses investimentos impactam a qualidade de vida da população, criam condições para expansão urbana organizada e para instalação de novos empreendimentos industriais.
Na logística, novos projetos ferroviários e a ampliação da infraestrutura portuária reforçam o posicionamento do Espírito Santo como corredor estratégico de exportação.
Um exemplo claro é o que ocorre em Aracruz. A presença de grandes operações industriais, associada à infraestrutura portuária e logística da região nordeste do estado, cria um ambiente favorável para novos investimentos. Empresas que dependem de exportação ou de cadeias logísticas eficientes passam a considerar o território capixaba como base operacional para seus negócios.
Mas existe um ponto que precisa ser melhor compreendido. Grandes investimentos em infraestrutura não geram produtividade automaticamente.
Para que esses projetos se transformem em ganhos econômicos concretos, é necessário um ambiente institucional capaz de dar previsibilidade aos investimentos. Agências reguladoras técnicas, contratos estáveis, empresas com governança estruturada e coordenação entre governos estaduais, municípios e operadores de infraestrutura são fatores que determinam se um investimento produzirá resultados duradouros.
Quando esses elementos estão alinhados, a infraestrutura deixa de ser apenas um conjunto de obras e passa a organizar cadeias produtivas, reduzir custos logísticos, atrair novos empreendimentos e ampliar a capacidade competitiva de uma região.
O Espírito Santo tem diante de si uma oportunidade importante. O volume de investimentos em saneamento, logística e portos cria uma base sólida para ganhos de produtividade. O desafio agora é garantir que esses investimentos se traduzam em eficiência operacional, atração de novos negócios e crescimento econômico consistente.
Em infraestrutura, produtividade não se mede apenas pelo valor investido mas sim pela capacidade de transformar investimentos em desenvolvimento econômico real.
Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.
