Ao aproximar-se do bar Le Constellation para celebrar o Ano Novo numa estância de esqui suíça coberta de neve e iluminada com luzes de Natal, Dominic Dubois viu chamas a envolver o edifício.
“Dava para ver o laranja, o laranja, o amarelo, o vermelho”, lembrou Dubois à Reuters, descrevendo cenas caóticas enquanto transeuntes e equipas de emergência trabalhavam em conjunto para resgatar as vítimas.
Dominic Dubois descreveu como as pessoas que conseguiram escapar do prédio em chamas ficaram sujeitas ao frio, numa noite em que as temperaturas atingiram os nove graus negativos. “Então, uma das prioridades era aquecer todos… as cortinas do restaurante foram usadas”, contou.
Dezenas de pessoas morreram e cerca de cem ficaram feridas quando o fogo destruiu o bar lotado durante uma festa de réveillon no resort Crans-Montana, disseram as autoridades na quinta-feira.
Perto dali, Samuel Rapp, de 21 anos, que reside naquela comuna suíça, no distrito de Sierre, cantão de Valais, estava a jantar num restaurante mexicano quando soube do incêndio e correu com a namorada para o Le Constellation, um bar popular entre os jovens locais.
“A polícia e os paramédicos… já tinham montado um perímetro de protecção”, explicou ele à Reuters horas mais tarde. “Havia pessoas a gritar e outras deitadas no chão, provavelmente mortas. Tinham casacos sobre o rosto.”
O incêndio começou no bar às 1h30 (0h30 em Lisboa), estando a causa ainda por apurar, embora as autoridades já tenham indicado que o que foi relatado como uma explosão foi provavelmente resultado de um acidente e não um ataque.
Nesta quinta-feira, o bar apresentava-se coberto por lençóis brancos, com uma tenda montada do lado de fora
Denis Balibouse/Reuters
Agência bancária transformada em centro de triagem
Rapp disse ter visto vídeos que mostram pessoas que estavam na festa desesperados, a atropelarem-se uns aos outros para escapar. “As pessoas gritavam: ‘ajudem-nos, por favor, ajudem-nos’.”
A agência local do banco UBS abriu, entretanto, as portas para dar refúgio aos sobreviventes, disse Dubois. “Todas as mesas foram afastadas e as pessoas entraram e estava quente lá dentro, havia mais luz também, então a triagem foi feita lá”, relatou.
“Paramédicos, polícia — não os bombeiros; os bombeiros estavam aqui fora. E então eram apenas ambulâncias a irem e a voltarem o mais depressa possível.”
Imagens de vídeo mostram filas de ambulâncias e helicópteros a aterrar para levar as vítimas da explosão para hospitais próximos e unidades especializadas em queimaduras noutras cidades suíças.
Um empregado de mesa de um restaurante perto do bar, que preferiu não se identificar, disse que os primeiros socorristas abordaram os funcionários para pedir toalhas de mesa para cobrir os corpos e escondê-los dos curiosos.
Nesta quinta-feira, o bar apresentava-se coberto por lençóis brancos, com uma tenda montada do lado de fora e um carro funerário cinzento estacionado à frente. À medida que a noite caía na quinta-feira, pequenos grupos de pessoas, agasalhadas contra o frio, colocavam flores e acendiam velas numa mesa em frente ao bar.
