Quatorze anos após o terremoto e tsunami de Tohoku, um vídeo raro publicado na plataforma X voltou a expor a força destrutiva das ondas que arrasaram o nordeste do Japão em 11 de março de 2011. As imagens mostram os primeiros minutos do avanço da água sobre vilarejos costeiros, um registro que trouxe memórias do desastre que deixou mais de 20 mil mortos e desaparecidos e provocou o colapso nuclear de Fukushima.
Neste ano, às 14h46 — horário exato do terremoto de magnitude 9,1 — milhares de japoneses pararam para um minuto de silêncio em memória das vítimas. O primeiro-ministro Shigeru Ishiba participou da cerimônia oficial em Fukushima, onde o impacto humano e ambiental permanece mais visível.
“Estabeleceremos uma nova Agência de Prevenção de Desastres e faremos o máximo para tornar o Japão o país líder em prevenção de desastres no mundo”, afirmou Ishiba, antes de depositar flores no altar.
O terremoto gerou um tsunami com ondas que chegaram a 40 metros, inundando cidades inteiras e desencadeando o pior desastre nuclear desde Chernobyl. Três reatores da usina Fukushima Daiichi, operada pela Tokyo Electric Power Co. (Tepco), sofreram fusões, obrigando uma evacuação massiva e deixando áreas inabitáveis por anos.
6. TSUNAMI DO JAPÃO – 2011
Em 11 de março de 2011, um terremoto de magnitude 9,1 atingiu a costa nordeste do Japão, gerando um tsunami com ondas de até 40 metros. Esse foi um dos desastres mais devastadores da história moderna, causando a morte de cerca de 20 mil pessoas e o… pic.twitter.com/wRxINhfedV
— Viagem ao Passado (@viagempassado) October 29, 2024
A “grande muralha do Japão” e a reconstrução pós-desastre
Desde a tragédia, o país investiu fortemente em infraestrutura de proteção. Uma extensa barreira costeira — apelidada de “grande muralha do Japão” — foi construída ao longo de mais de 400 quilômetros de litoral, com trechos que ultrapassam 15 metros de altura. O objetivo é reduzir o impacto de futuros tsunamis e proteger comunidades vulneráveis.
A usina de Fukushima Daiichi, segundo a Tepco, jamais será reativada. Mas embora o desastre tenha levado o Japão a reduzir drasticamente o uso da energia nuclear, o cenário começa a mudar.
O retorno da energia nuclear ao debate global
Com o aumento da demanda energética — impulsionado por tecnologias como inteligência artificial — o governo japonês anunciou, em fevereiro, um plano para ampliar a participação da energia nuclear de 8% para 20% até 2040.
A mudança reflete um movimento internacional. A Alemanha, que encerrou seus últimos reatores em 2023, discute reativá-los após as recentes eleições. Nos Estados Unidos, o governo planeja triplicar a capacidade nuclear até 2050, com grandes empresas de tecnologia investindo em pequenos reatores próprios para alimentar centros de dados.
Mesmo ambientalistas, antes ferrenhos críticos, têm revisto suas posições diante da urgência climática. A energia nuclear, que não emite gases de efeito estufa, voltou a ser vista por muitos como alternativa viável em um mundo em transição energética.
